O Museu do Mar da Lituânia fica dentro de um forte prussiano de 1865 que nunca foi usado em guerra — e hoje abriga o único dolfinário da costa leste do Báltico.
O Forte Nerija: construção, função militar e destruição na Segunda Guerra Mundial
Antes da criação do Museu do Mar da Lituânia, o local atualmente ocupado pela instituição abrigava o Forte Nerija, também denominado Kopgalis. Esta edificação de caráter militar foi construída entre 1865 e 1873, período em que a região se encontrava sob domínio do Reino da Prússia, com o propósito de proteger o acesso ao porto de Klaipėda, cuja importância estratégica para o comércio no mar Báltico era considerável. Concluído ainda no século XIX, o forte operava como uma unidade de defesa costeira, guarnecido por soldados e equipado com canhões voltados para o mar, com a missão de vigiar e impedir a aproximação de navios inimigos. Durante a Segunda Guerra Mundial, em 14 de outubro de 1944, as tropas alemãs que ocupavam a posição detonaram deliberadamente a estrutura numa manobra de retirada. Depois da guerra, o forte permaneceu abandonado e em ruínas.
O início do projeto: 1967, no Museu Regional de Klaipėda
O projeto de criar um museu marítimo começou em 1967. Naquele ano, dentro do Museu Regional de Klaipėda (Klaipėdos kraštotyros muziejus), responsável pela história e cultura da região, foi criado um novo setor: o Departamento Marítimo. A função deste departamento era dedicar-se especificamente ao tema do mar, começando a reunir objetos e informações. O historiador Aloyzas Každailis, então funcionário do museu, foi nomeado chefe deste novo departamento, e foi ele quem lideraria a criação do museu nos anos seguintes.
A exposição decisiva de 1971
Em 1971, este departamento organizou a sua primeira grande exposição para o público. A mostra foi instalada num pequeno edifício de dois andares no centro de Klaipėda, na Rua H. Manto, n.º 14. Esta exposição, conhecida como “exposição de fundo”, apresentava uma pequena narrativa sobre a história da navegação. A grande atração foi uma impressionante coleção particular de conchas marinhas, emprestada e depois doada por Feliksas Rimkevičius, um conhecido piloto do porto de Klaipėda e colecionador. O sucesso da exposição foi enorme, e o forte interesse do público foi o impulso final para que as autoridades e os responsáveis culturais avançassem com o projeto.
O início da transformação – 1972
Uma parte crucial e simbólica deste processo inicial foi a reconstrução da ponte de acesso ao forte, que havia sido destruída durante a guerra.
A partir de 1973, as obras de restauro ganharam um novo impulso, contando com o projeto dos arquitetos Petras Lapė e Laima Šliogerienė. Para o trabalho de reconstrução ser bem-sucedido, foi preciso, antes de mais, garantir a segurança do local. Entre 1973 e 1974, equipas de demolição tiveram que remover cuidadosamente os escombros e, mais importante, limpar as munições por explodir deixadas desde a guerra do subsolo do forte.
No final de 1974, houve um momento simbólico que marcou o progresso da obra: a instalação da primeira coluna de betão armado do edifício que viria a albergar o aquário. Esta etapa foi supervisionada por pessoas como Aloyzas Každailis (futuro diretor do museu) e o arquiteto Lapė.
A fundação do museu (1 de outubro de 1975) e a escolha do Forte Nerija
O passo seguinte foi decisivo. Em 1 de outubro de 1975, o antigo Departamento Marítimo foi desmembrado do Museu Regional e tornou-se uma instituição independente: o Museu Marítimo de Klaipėda foi oficialmente fundado. O Museu Regional apoiou a criação do novo museu, doando-lhe as primeiras 3.000 peças do seu acervo. A partir de então, um grande projeto foi iniciado: transformar as ruínas do Forte Nerija (Kopgalis) na sede definitiva do museu, um espaço que seria reconstruído e adaptado para albergar não só a exposição histórica, mas também um aquário.
Conheça as exposições do Museu do Mar
Aquário e Exposições de História: O aquário possui 25 tanques com cerca de 180 espécies da Lituânia a mares tropicais. Nos túneis e casamatas do forte, a exposição de história marítima conta a história da frota lituana, grandes naufrágios e a era da vela em Klaipėda.

Navio-Museu M52 “Sūduvis”: Uma autêntica embarcação de guerra ancorada no rio Danė, oferecendo uma visão da história da Marinha Lituana.
Quinta Etnográfica do Pescador Litoral: Uma recriação de uma quinta tradicional do século XIX, que mostra o modo de vida e a cultura piscatória da região.
Pátio dos Antigos Barcos de Pesca (Exposição a Céu Aberto): Um espaço com os maiores objetos do museu, incluindo barcos de pesca autênticos e um arrastão soviético. Aqui também estão o arrastão “Dubingiai” e outros navios veteranos.
Centro de Reabilitação de Animais Marinhos do Mar Báltico (BJGRC): Oferece cuidados a focas e aves afetadas por atividades humanas, com o objetivo de os reabilitar e devolver à natureza.

Centro de Terapia com Golfinhos: Uma unidade única no museu que oferece programas terapêuticos com golfinhos.
Exposições Temporárias: O museu também organiza mostras temporárias. Um exemplo recente foi a exposição “Pelos Oceanos a Remos”.
Delfinário: Local para apresentações educativas com golfinhos-roazes-do-Mar-Negro e leões-marinhos da Califórnia, que encantam os visitantes.



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