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Entrada dos Museus Vaticanos em Roma - ponto de partida para visitar a Capela Sistina e o acervo de arte

Visita aos Museus do Vaticano e Capela Sistina

Quem não viu a capela sistina não consegue ter noção intuitiva do que o ser humano pode alcançar

Johann Wolfgang von Goethe

Por Que os Museus do Vaticano São Importantes?

Os Museus do Vaticano não são apenas a principal atração turística da Cidade do Vaticano, mas também desempenham um papel crucial no mundo como guardiões de uma coleção de arte inestimável, reconhecida como patrimônio cultural global. Além disso , eles simbolizam o desejo dos papas de promover a cultura e as artes, um esforço que cresceu ao longo dos séculos.

Este guia completo explora a importância desses museus e o legado imortal da Capela Sistina.

Antes de se tornarem a sede dos Papas, os terrenos onde hoje se situam os Museus do Vaticano faziam parte do território da antiga Roma, abrangendo áreas da região conhecida como Ager Vaticanus. A importância deste local cresceu exponencialmente ao longo dos séculos, especialmente após o martírio de São Pedro e a sua suposta sepultura na colina Vaticana, elevando o local a um centro de significado religioso para os cristãos de todo o mundo.

À medida que a região ganhava importância religiosa, os Papas começaram a investir no embelezamento e construção de estruturas significativas, como a majestosa Basílica de São Pedro. O palácio adjacente começou a evoluir e expandir-se ao longo dos séculos. Ele tornou-se a base do que hoje são conhecidos como os Museus Vaticanos.

A História por Trás da Capela Sistina e dos Museus do Vaticano

A descoberta da escultura do Laocoonte e seus filhos em 1506 é um evento notável na história da arte e um marco significativo que contribuiu para o nascimento do museu. Essa escultura, datada do século I a.C., é uma obra-prima da arte helenística e representa o sacerdote troiano Laocoonte e seus dois filhos sendo atacados por serpentes marinhas gigantes.

A escultura foi descoberta em 14 de janeiro de 1506 no vinhedo do nobre romano Felice de Fredis, localizada no Colle Esquilino, próximo à Basílica de Santa Maria Maggiore. Como documenta Plínio, o Velho em sua Naturalis Historia, acreditava-se que a obra pertencia ao palácio do imperador Tito, O Papa Júlio II adquiriu imediatamente a escultura e a colocou no Cortile Ottagono del Belvedere, onde ainda hoje se encontra.

Reconhecendo imediatamente a importância e a qualidade excepcional da escultura, Júlio II adquiriu-a e a colocou em exibição no Vaticano, especificamente no pátio do Belvedere, que fazia parte do complexo do Vaticano. Essa decisão marcou o início da coleção de arte do Vaticano e simbolizou o desejo dos papas de promover a cultura e as artes, um esforço que continuaria a crescer e se desenvolver nos séculos seguintes.

Guia Completo para a Visita aos Museus do Vaticano e Capela Sistina

Mapa completo para visita aos Museus do Vaticano e Capela Sistina mostrando roteiro e localização das principais atrações

1 – Museu Gregoriano Profano

Fundado pelo papa Gregório XVI em 16 de maio de 1844 no Palácio Apostólico de Latrão, onde permaneceu até 1963.

Após a transferência das coleções para o Vaticano, autorizada por João XXIII, foi Paulo VI quem inaugurou a nova sede em 1970, reabrindo o museu ao público.

O museu está dividido em cinco seções principais:

SeçãoConteúdo
IFragmentos de esculturas e relevos originais gregos dos séculos V-IV a.C.
IICópias ou reelaborações romanas da época imperial (séculos I-III d.C.) de originais gregos
IIIEsculturas romanas do século I e início do II (bustos e aras); inclui a Ara dos Vicomagistri
IVGaleria dos sarcófagos, organizados por temas
VObras de escultura romana dos séculos II e III d.C.
Busto de mármore da Roma Antiga exposto nos Museus do Vaticano - escultura clássica de retrato romano
Musei Vaticani (Stato Città del Vaticano), Public domain, via Wikimedia Commons
Principais Obras:

Mármores do Partenon
Fragmentos originais das esculturas de Fídias (447–432 a.C.) que decoravam o Partenon de Atenas. Chegaram a Roma no século XIX e em 2022 foram doados pelo Papa Francisco à Grécia.

Atena e Mársias
Cópia romana do século I d.C. de um original grego em bronze de Míron (c. 450 a.C.). Foi encontrada em escavações em Roma e representa a deusa Atena observando o sátiro Mársias.

Mosaico da Sala Não Varrida
Mosaico romano assinado por Heráclito, da época do imperador Adriano. Foi encontrado em uma vila no Monte Aventino, em Roma, e cria a ilusão de um chão sujo com restos de banquete.

Nióbide Chiaramonti
Estátua do século II d.C. encontrada na Villa Adriana, em Tivoli (perto de Roma). Representa uma das filhas de Níobe tentando fugir das flechas de Apolo e Ártemis.

Júlio César
Busto de Júlio César esculpido ainda quando estava vivo. Foi encontrado em Roma e é considerado pela historiadora Mary Beard o "verdadeiro rosto de César".

Relevos da Chancelaria
Relevos em mármore encontrados sob o Palazzo della Cancelleria, em Roma. Decoravam um monumento público da época de Domiciano (século I d.C.).

Mausoléu dos Hatérios
Monumento funerário romano do início do século II d.C., descoberto em 1848 ao longo da antiga Via Labicana, perto da Porta Maggiore, em Roma. Seus relevos mostram máquinas de construção e monumentos como o Coliseu.

Mosaicos das Termas de Caracala
Grandes pavimentos musivos de cerca de 210–230 d.C., encontrados nas Termas de Caracala, em Roma. Retratam atletas vitoriosos nus, com disco, palmas e coroas.

2 – Museu Pio Cristiano

Pio IX fundou o museu em 1854 no Palácio de Latrão e também organizou a coleção com peças da era cristã primitiva, dividindo-a em duas salas. O acervo permaneceu no local até 1963, quando João XXIII decidiu transferi-lo para o Vaticano.

O museu está dividido em duas seções principais:

SeçãoConteúdo
IInclui a maior coleção de sarcófagos paleocristãos (séc. III-V d.C.), estátuas (como o Bom Pastor), mosaicos e fragmentos arquitetônicos. Organizada por temas iconográficos e cenas bíblicas.
IIReúne centenas de inscrições, em sua maioria sepulcrais, divididas por temas ou locais de origem. Por seu caráter especializado, esta seção é aberta apenas a estudiosos
Estátua do Bom Pastor em mármore carregando um carneiro, famosa escultura de arte paleocristã exposta nos Museus do Vaticano.
Pubblico dominio, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=895177
Principais Obras:

Sarcófago de Jonas
Sarcófago do final do século III (c. 290 d.C.) em mármore branco, decorado com cenas da história do profeta Jonas. Foi descoberto no final do século XVI no canteiro de obras da Basílica de São Pedro, no Vaticano.

Bom Pastor
A famosa estatueta do Bom Pastor do século III, proveniente da Catacumba de São Calisto, em Roma. Na verdade, é o resultado de um restauro do século XVIII que transformou um relevo fragmentário de sarcófago em estátua.

Sarcófago de Crescens
Sarcófago com uma história atribulada: encontrado intacto na Via Ápia, foi disperso em Sutri, Roma e Bolonha (após um roubo). Quase todos os fragmentos sobreviventes foram adquiridos entre 1757 e 1925.

Sarcófagos "a strigilature"
Sarcófagos dos séculos III e IV d.C. que recebem esse nome por causa das "strigilature" – padrões decorativos esculpidos no mármore em formato de letra 'S' ou de conchas. Esse desenho foi inspirado nos estrigis, instrumentos que os atletas romanos usavam para raspar o suor e a oleosidade do corpo após os exercícios. Esses sarcófagos foram encontrados em várias catacumbas de Roma.

Sarcófagos "a fregio continuo"
Sarcófagos paleocristãos dos séculos IV-V com friso contínuo sem divisões verticais, narrando cenas bíblicas sequenciais. Exemplos encontrados no Cemitério de Domitila (Via Ardeatina) e em Santa Inês.

Mosaicos de Ciriaca
Conjunto de mosaicos parietais do século IV encontrados no Cemitério de Ciriaca (Via Tiburtina), também conhecido como Catacumba de São Lourenço. Destacam-se dois medalhões com retratos datados de c. 350 d.C.

Sarcófagos "a doppio registro"
Sarcófagos do século IV divididos horizontalmente em dois registros sobrepostos. O exemplo mais importante é o Sarcófago Dogmático (c. 320-340 d.C.), encontrado provavelmente no Cemitério de Domitila, com cenas da criação, milagres e ressurreição.

Sarcófagos "a colonne"
Sarcófagos do século IV com cenas dispostas em nichos separados por pequenas colunas. O exemplar mais célebre é o Sarcófago de Junius Bassus (cópia em gesso), original em mármore, datado de 359 d.C., encontrado na Basílica de São Pedro.

Natividade-Epifania (Natività-Epifania)
Seção que reúne fragmentos de sarcófagos com cenas da Natividade e da Epifania, associados iconograficamente ao profeta Daniel.

3 – Museu Missionário Etnológico – Anima Mundi

Em 1924, o Papa Pio XI convidou todas as congregações religiosas missionárias a enviar a Roma objetos, artefatos e testemunhos de suas atividades ao redor do mundo. O objetivo era realizar uma grande exposição temporária nos Jardins do Vaticano para celebrar o Ano Santo de 1925. A exposição foi inaugurada em 24 de dezembro de 1924 e se estendeu até 9 de janeiro de 1926, recebendo grande afluência de público e um sucesso extraordinário .

Diante do enorme sucesso da exposição temporária e da qualidade excepcional dos objetos recebidos, o Papa Pio XI decidiu tornar a coleção permanente. Em 12 de novembro de 1926, ele publicou o motu proprio Quoniam tam, que oficialmente instituiu o Museu Missionário Etnológico .

SeçãoConteúdo
Percurso Principal (aberto ao público)Objetos expostos divididos por áreas geográficas (Oceanía, América, África, Ásia). Foco em aspectos religiosos, culturais e artísticos das culturas extraeuropeias. Inclui obras de arte sacra, objetos rituais e peças de grande valor simbólico.
Percurso Secundário (acesso restrito a estudiosos)Reservado para pesquisadores e antropólogos. Abriga ferramentas, utensílios domésticos, vestimentas, móveis e outros objetos etnográficos não expostos ao público, sempre organizados por critério geográfico.
Fragmento de cerâmica antiga (ostraco) com retrato pintado, peça arqueológica do acervo dos Museus do Vaticano.
By Sailko – Own work, CC BY 3.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=34148373
Principais Obras:

Máscara Ritual – Ilha de Navarino (Terra do Fogo, Patagônia)
Máscara cerimonial do arquipélago da Terra do Fogo, enviada a Roma nos anos 1920 pelo padre missionário Martin Gusinde. Ao lado dela, está exposto um cesto feito pela descendente do intérprete do padre Gusinde, como símbolo de gratidão pela reconexão com sua história.

Coleção Pré-Colombiana – América
Conjunto de objetos de civilizações pré-colombianas (Maias, Astecas, Incas e outras), doados aos papas ao longo dos séculos. Inclui cerâmicas, têxteis, esculturas e objetos rituais. O primeiro núcleo do museu foi formado por uma doação de obras pré-colombianas há mais de trezentos anos.

Palos Esculpidos – Ilhas Tiwi (Austrália)
Palos de madeira esculpidos e pintados pelas populações aborígenes das Ilhas Tiwi, entre a Austrália e a Indonésia. Foram enviados ao Vaticano para a Exposição Missionária de 1925. Uma idosa descendente do artista que os criou reconheceu a obra e recebeu os museólogos com emoção.

Coroa Fênix (Fengguan) – China
Coroa feminina da Dinastia Qing (1644-1911), utilizada por princesas em cerimônias oficiais. Representa nobreza e virtude, sendo um elemento importante na indumentária tradicional chinesa para mulheres da realeza. Destaca-se na capa do catálogo oficial do museu.

4 – Átrios dos Quatros Portões

Foi projetado em 1786 pelo arquiteto Giuseppe Camporese, seguindo um estilo neoclássico. Trata-se de um imponente corpo de fábrica com planta em cruz grega, encimado por uma grande cúpula . Foi construído para servir como um novo acesso aos Museus a partir dos Jardins Vaticanos, uma escolha do Papa Pio VI.

Corredor interno dos Museus do Vaticano com estátuas clássicas em nichos e portões de ferro forjado
Fabrizio Garrisi, CC BY-SA 4.0 , via Wikimedia Commons

Entre 1870 e 1932, este local funcionou como o ingresso principal dos Museus Vaticanos. Atualmente, é um espaço de passagem obrigatório para todos os visitantes que se dirigem à Capela Sistina.

5 – Museu Pio Clementino

O Museu Pio Clementino é considerado o núcleo original dos Museus Vaticanos. Sua história começa com o Papa Júlio II (1503-1513), que reuniu no Cortile delle Statue (atual Pátio Octogonal) as primeiras esculturas clássicas da coleção papal, incluindo Laocoonte e o Apolo do Belvedere.

O museu propriamente dito foi fundado pelo Papa Clemente XIV em 1771, após a aquisição das coleções Mattei e Fusconi. Seu sucessor, o Papa Pio VI, ampliou significativamente o museu, concluindo as obras em 1793. O nome “Pio Clementino” homenageia os dois papas fundadores.

Entre 1797 e 1816, as principais obras foram levadas a Paris por Napoleão (Tratado de Tolentino), mas a maior parte foi recuperada após o Congresso de Viena, graças à intervenção do escultor Antonio Canova.

SeçãoConteúdo
Pátio OctogonalCoração do museu. Abriga as obras-primas fundadoras: Laocoonte, Apolo do Belvedere, Hermes, Perseu de Canova. Originalmente chamado Cortile delle Statue, foi remodelado em forma octogonal por Michelangelo Simonetti (1772).
Sala dos AnimaisReúne esculturas de animais domésticos, selvagens e fantásticos (centauros, grifos). Destacam-se Meleagro com o javali calidônio e o Mitra tauroctono. Muitas obras foram restauradas por Francesco Antonio Franzoni.
Galeria das EstátuasAntiga loggia do Palácio do Belvedere, transformada em galeria por Clemente XIV (1771). Abriga a Ariana adormecida, Hermes Ingenui, Apolo Sauroctonos (cópia de Praxíteles) e a Amazona Mattei (cópia de Fídias)
Sala dos BustosDividida em três seções por arcos com colunas revestidas de amarelo antigo. Expõe retratos de imperadores romanos, divindades e heróis gregos. Inclui o Júpiter Verospi (século III d.C.).
Gabinete das MáscarasCriado em 1780. Deve o nome ao mosaico com máscaras teatrais encontrado na Villa Adriana (1779). Abriga a Vênus de Cnido (cópia de Praxíteles), Vênus agachada e o Grupo das Três Graças.
Sala das MusasConstruída por Michelangelo Simonetti (c. 1780). Abriga o Grupo de Apolo e as Musas, encontrado em 1774 em uma vila romana perto de Tivoli. No centro, está o Torso do Belvedere (século I a.C.), muito admirado por Michelangelo.
Sala RedondaConstruída em estilo neoclássico por Simonetti no final do século XVIII, com cúpula que imita o Panteão (21,60 m de diâmetro). Abriga estátuas colossais: Hércules em bronze dourado, Antínoo Braschi, Júpiter de Otricoli e uma grande bacia monolítica de pórfiro.
Sala em Cruz GregaAbriga os dois imponentes sarcófagos de pórfiro vermelho de Santa Helena (mãe de Constantino) e de Santa Constança (filha de Constantino). O piso é decorado com mosaicos antigos.
Gabinete do ApoxyomenosAbriga a cópia romana (século I d.C.) do Apoxyomenos de Lísipo (c. 320 a.C.), encontrado em Trastevere em 1849. Representa um atleta limpando o suor e o pó com um estrígil.
Vestíbulo QuadradoContém o importante Sarcófago de Lúcio Cornélio Cipião Barbato (c. 270 a.C.), encontrado no Sepulcro dos Cipiões na Via Ápia. A inscrição arcaica em latim é um dos mais antigos documentos epigráficos romano.
Sala da BigaDominada pela monumental Biga de mármore (século I d.C.), montada por Francesco Antonio Franzoni em 1788. A caixa do carro era usada como cadeira episcopal na igreja de São Marcos. Ao redor, estão o Discóbolo (cópia de Míron) e sarcófagos com temas atléticos e circenses.
Escadaria SimonettiConecta o Museu Pio Clementino ao Museu Gregoriano Egípcio. Projetada por Michelangelo Simonetti no século XVIII.
Grande bacia de pórfiro no centro da Sala Rotonda dos Museus do Vaticano, cercada por estátuas clássicas e visitantes.
A impressionante bacia de pórfiro no centro da Sala Rotonda, uma das salas mais belas e grandiosas dos Museus do Vaticano.
Principais Obras:

Laocoonte e seus Filhos
Encontrado em 14 de janeiro de 1506 em uma vinha no Monte Esquilino, Roma. Grupo escultórico em mármore (século I d.C.), cópia de um original grego em bronze de Agesandro, Atanadoro e Polidoro de Rodes (século II a.C.). Representa o sacerdote troiano e seus filhos sendo atacados por serpentes marinhas. Foi a obra que deu início à coleção papal.

Apolo do Belvedere
Levado ao Vaticano pelo Papa Júlio II no início do século XVI, proveniente de uma coleção particular romana. Escultura romana em mármore da época imperial (c. 130-140 d.C.), cópia de um original grego em bronze de Leócares (c. 330-320 a.C.). Considerado o ideal de beleza masculina na arte clássica.

Torso do Belvedere
Proveniência incerta, já documentado na coleção do Cardeal Prospero Colonna no século XV. Escultura em mármore do século I a.C., assinada por Apolônio, filho de Néstor, ateniense. Muito admirado por Michelangelo, serviu de inspiração para suas figuras heróicas.

Banheira de Nero (Labrum em Pórfiro Vermelho)
Possivelmente proveniente da Domus Aurea de Nero, em Roma. Grande vasca circular em pórfiro vermelho do século II d.C., com 13 metros de diâmetro original. Foi adquirida pelo Papa Clemente XI em 1717 e colocada no centro da Sala Redonda em 1792. É uma das peças mais imponentes do museu.

Sarcófago de Lúcio Cornélio Cipião Barbato
Encontrado em 1780 no Sepulcro dos Cipiões, na Via Ápia, Roma. Sarcófago em pedra (peperino) de c. 270 a.C. Apresenta uma das mais antigas inscrições em latim arcaico.

Escadaria de Bramante (original) – Ainda no Museu Pio Clementino. Donato Bramante projetou a Escadaria Helicoidal no século XVI com o objetivo de permitir o acesso contínuo entre os níveis do palácio, criando uma rampa dupla em espiral que acomodava tanto pedestres quanto cavalos. Hoje, é uma joia arquitetônica preservada e raramente acessível ao público.

Vista de cima da famosa escadaria em espiral de Bramante na saída dos Museus do Vaticano, com colunas clássicas e piso de tijolos.
By daryl_mitchell from Saskatoon, Saskatchewan, Canada – Bramante Staircase 3, CC BY-SA 2.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=40681143

6 – Pátio Octogonal

Pátio aberto dos Museus do Vaticano com arquitetura clássica, arcos, colunas e turistas durante a visita ao complexo.

É o coração do Museu Pio Clementino e o local onde nasceu a coleção dos Museus Vaticanos.
Originalmente, se chamava Pátio das Estátuas.
Foi ali que o Papa Júlio II da Rovere (que governou de 1503 a 1513) reuniu as primeiras grandes esculturas da antiguidade, como o Laocoonte e o Apolo.
O objetivo do papa era reviver a Roma dos Césares dentro do Vaticano, mostrando a grandiosidade do passado para engrandecer o presente.

7 – Museu Chiaramonti

O Papa Pio VII fundou o Museu Chiaramonti em 1807. Napoleão Bonaparte impôs o Tratado de Tolentino, forçando o papa a ceder várias esculturas. Após o Congresso de Viena, Antonio Canova recuperou quase todas as obras e as devolveu ao Vaticano, organizando o novo museu com as peças trazidas de volta e as novas aquisições.

Estátua de Augusto de Prima Porta, famosa escultura do primeiro imperador romano exposta nos Museus do Vaticano
Di Till Niermann – Opera propria, Pubblico dominio, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=388210
SeçãoConteúdo
Galeria ChiaramontiCerca de 1.000 esculturas antigas: estátuas de divindades, retratos de imperadores, bustos romanos, urnas, sarcófagos e frisos. Organizada por Canova com o conceito das “três artes irmãs”.
Braço NovoAbriga as obras mais célebres do museu, incluindo o Augusto de Prima Porta, a Athena Giustiniani e o Doríforo.
Galeria LapidariaMais de 3.000 inscrições, epígrafes e monumentos lapidares (pagãos e cristãos), distribuídos em 48 paredes. É a maior coleção do mundo deste tipo de manufatura. Fechada ao publico.

8 – Galeria Lapidária

Também faz parte do Museu Chiaramonti e possui uma rica coleção lapidária que tem início a partir do século I a.C. O acervo está dividido em 48 paredes.

Estátua da Athena Giustiniani no Braccio Nuovo dos Museus do Vaticano - famosa escultura da deusa Atena/Minerva
Di Sconosciuto – Jastrow (2006), Pubblico dominio, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=1331203
Principais Obras:

Grande Relevo Mitraico
Encontrado em 1805 nas escavações do Templo das Sete Esferas em Óstia. Relevo do século II d.C. que representa Mitra matando o touro. É uma das peças mais importantes do culto mitraico em Roma.

Lápide de Júlia Agele
Lápide funerária de uma esteticista de 80 anos, com relevo mostrando a profissional aquecendo a resina em um fogareiro para depilar uma cliente.

Ara dos Fabricantes de Facas
Altar dedicado por Lúcio Cornélio Altímeto e seu liberto Epafra, fabricantes de facas. Em um lado, os dois artesãos batem o ferro; no outro, estão em uma loja com seus produtos, enquanto um cliente compra uma faca.

Lápide do Menino Atropelado
Encontrada em Roma. Conta a história do pequeno Quinto Volúsio Anthus, que morreu após ser atropelado por um carrinho enquanto brincava com o pai.

Lápide dos Faróis de Alexandria e Óstia
Originária de Óstia, reutilizada posteriormente em contexto cristão. Apresenta os faróis dos dois portos e foi adaptada com símbolos cristãos (cruz, alfa e ômega).

9 – Museu Gregoriano Egí­pcio

Foi fundado em 1839 pelo Papa Gregório XVI. Reuniu obras egípcias já presentes no Vaticano desde o século XVIII, as antiguidades encontradas em Roma e um dos núcleos mais importantes provenientes da Villa Adriana em Tivoli. Gregório XVI também promoveu a chamada “Expedição Romana” ao Egito (1840–1841), que trouxe novas peças para a coleção.

SeçãoConteúdo
IColeção de objetos e monumentos (estelas, estátuas, objetos diversos) com inscrições datadas do Antigo Império até a época cristã
IIObjetos do culto funerário do Antigo Egito, incluindo o famoso Livro dos Mortos
IIIReconstrução de parte da decoração do Serapeu da Villa Adriana em Tivoli
IVCópias de estátuas e baixos-relevos que imitam originais egípcios, mas esculpidos na Itália em época imperial romana para decorar templos e locais sagrados em Roma e arredores
VExposição de estátuas egípcias encontradas em Roma e arredores, incluindo os colossos de Ptolemeu II e Arsínoe II. No terraço do Emiciclo, estão expostas estátuas e sarcófagos
VIExposição das coleções de bronzes egípcios dos séculos X-IV a.C., pertencentes a Carlo Grassi e doadas a Pio XII por Nedda Grassi (Coleção Grassi)
VIIDedicada a Alexandria do Egito e a Palmira (Síria), com objetos de época helenístico-romana (século IV a.C. – século II d.C.)
VIIIDedicada a achados da Mesopotâmia e da Síria-Palestina pré-clássica (III-I milênio a.C.), incluindo vasos, armas, lâminas de sílex e objetos pessoais
IXDividida em quatro seções, cada uma dedicada aos relevos que decoravam o palácio de um soberano assírio

Principais Obras:

Estátua da Rainha Tuia
Encontrada em 1714 nos Jardins de Salústio (Vigna Verospi), em Roma. A estátua foi esculpida durante a XVIII dinastia com as feições da rainha Tiy, esposa de Amenhotep III. Foi "usurpada" por Ramsés II, que a dedicou à sua própria mãe, a rainha Tuia. Foi trazida a Roma pelo imperador Calígula e entrou no Vaticano em 1839, com a fundação do museu.

Colossos de Ptolemeu II e Arsínoe II
Encontrados em 1714 nos Horti Sallustiani (Jardins de Salústio), em Roma. São duas estátuas colossais em granito vermelho, datadas de cerca de 260 a.C., representando o faraó Ptolemeu II e sua irmã-esposa Arsínoe II. Foram trazidas a Roma por Calígula para decorar um "pavilhão faraônico" em homenagem à sua própria família .

Livro dos Mortos
Proveniente de Tebas/Deir el-Medina, no Egito. É um papiro funerário da época ptolemaica (305-30 a.C.), ricamente colorido, com fórmulas mágicas e rituais para guiar a alma da falecida Tayesnakht no além. Inclui cenas famosas como a "pesagem do coração" diante da deusa Maat, que verificava a retidão das ações em vida .

Coleção Grassi
Conjunto de bronzes egípcios datados dos séculos X-IV a.C., pertencentes ao colecionador Carlo Grassi. Foi doada ao Vaticano por sua viúva, Nedda Grassi, ao Papa Pio XII em 1951.

Retratos de Palmira
Provenientes da antiga cidade de Palmira, na Síria (séculos I-III d.C.). São relevos funerários que retratam os falecidos em estilo front típico da arte palmirena. Foram doados ao Vaticano em 1999 pelo famoso historiador da arte Federico Zeri como legado testamentário. É a mais importante coleção do gênero na Itália .

Relevos Assírios
Provenientes do palácio de um soberano assírio, provavelmente das cidades de Nimrud ou Nínive (atual Iraque). São relevos que decoravam as paredes do palácio, representando cenas de guerra, caça e cerimônias da corte assíria.

Serapeu da Villa Adriana
Proveniente da Villa Adriana em Tivoli. É a reconstrução de parte da decoração do Serapeu, um templo dedicado ao deus Serápis, construído pelo imperador Adriano em sua villa. Inclui estátuas e relevos que imitam a arte egípcia, mas foram esculpidos na Itália em época imperial romana .

Tela da "Dama do Vaticano"
Encontrado em Antinópolis, no Egito. É um raro tecido funerário pintado do século III d.C., que documenta o impacto da arte romana no desenvolvimento posterior da arte egípcia .

Sarcófago de Djedmut
Sarcófago de madeira pintada da 22ª dinastia (c. 945-715 a.C.), pertencente a Djedmut, uma mulher da elite tebana. É reconhecido como um dos exemplos mais antigos de pintura sobre tábua, com técnica executiva que antecipa a utilizada por Giotto.
Vasos canópicos egípcios com tampas em formato de cabeça de falcão e babuíno no Museu Gregoriano Egípcio do Vaticano
Авторство: Neithsabes. travail personnel / Casio EX-S500, Общественное достояние, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=4116309

10 – Museu Gregoriano Etrusco

O museu está organizado em 22 salas. Foi fundado pelo Papa Gregório XVI e inaugurado em 2 de fevereiro de 1837, sendo um dos primeiros museus expressamente dedicados às antiguidades etruscas. Foi criado para reunir as obras descobertas no início do século XIX nas escavações arqueológicas nas cidades da Etrúria, que naquela época faziam parte do Estado Pontifício. Após o fim do Estado da Igreja (1870), o museu enriqueceu-se através de compras ou doações.

Marte de Todi - famosa estátua etrusca de bronze do século V a.C. exposta no Museu Gregoriano Etrusco dos Museus do Vaticano
Di Jean-Pol GRANDMONT – Opera propria, CC BY-SA 3.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=18381501
Principais Obras:

Tumba Regolini-Galassi
Descoberta em 1836-37 pelo general Vincenzo Galassi e pelo arciprete Alessandro Regolini na necrópole do Sorbo, em Cerveteri (antiga Caere). É um dos testemunhos mais significativos do período orientalizante da civilização etrusca (meados do século VII a.C.). O rico repertório funerário inclui jóias de ouro, objetos de bronze e cerâmicas.

Marte de Todi
Encontrado em Todi (antiga Tuder), na Úmbria, em 1835. É uma estátua de bronze em tamanho natural do final do século V ou início do IV a.C., um raro exemplo da estatuária etrusca em bronze. Representa um guerreiro com armadura, provavelmente o deus Marte, e é uma das peças mais famosas do museu.

Ânfora de Exéquias
Encontrada em Vulci, na Etrúria meridional. É uma ânfora ática de figuras negras, datada de cerca de 530 a.C., assinada pelo célebre ceramógrafo grego Exéquias. Representa Aquiles e Ajax jogando dados durante a Guerra de Troia.

Grande Broche de Ouro
Proveniente da Tomba Regolini-Galassi, em Cerveteri. É um broche de ouro do período orientalizante (meados do século VII a.C.) com decoração em finíssima técnica de granulação e filigrana, um dos exemplos mais extraordinários da ourivesaria etrusca.

Sarcófago Policromo
Sarcófago etrusco em terracota pintada com cenas do banquete funerário. É um importante exemplo da escultura funerária etrusca do período helenístico.

Urna Cinerária do Mestre de Enomao
Urna funerária em alabastro ou travertino, decorada com um relevo que representa a corrida de carruagens do mito de Enomao, uma obra-prima da escultura funerária etrusca do período helenístico.

Adônis Moribundo
Relevo funerário etrusco em terracota representando o mito de Adônis moribundo, uma obra do período helenístico.

Cista Oval
Cista (recipiente cilíndrico) de bronze com decoração gravada, proveniente de Palestrina (antiga Praeneste).

Coleção Astarita
Conjunto de vasos gregos e italiotas (produzidos nas cidades helenizadas do sul da Itália) doados ao museu por Mario Astarita em 1967, uma das mais importantes coleções de cerâmica antiga do mundo.

11 – Pavilhão das Carruagens

Foi inaugurado em 19 de abril de 1973 pelo Papa Paulo VI. O museu faz parte do Setor de Coleções Históricas, criado em 2013, que reúne também a Galeria dos Retratos dos Papas e as Armerias Papais.

SeçãoConteúdo
Seção das CarruagensCarruagens cerimoniais, berlindas, landaus, carruagens de viagem e cadeirinhas.
Seção dos AutomóveisAutomóveis históricos, papamóveis blindados e viaturas especiais usadas pelos papas do século XX até à atualidade.
Berlina Papale de Pio IX, famosa carruagem de gala histórica exposta no Museu Histórico Pontifício do Vaticano
Di Jebulon – Opera propria, CC0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=28985330
Principais Obras:

Berlina di Gran Gala
Construída em Roma em 1826 pelo fabricante de carruagens Gaetano Peroni para o Papa Leão XII, sendo o núcleo central da coleção. Foi enriquecida nos seus decorações pelo Papa Gregório XVI em 1841. Considerada a "carruagem da Cinderela" dos Papas, era puxada por seis cavalos brancos com plumas douradas.

Landau Pontifício
Construído em Roma durante o pontificado de Leão XIII pelo fabricante Carlo Ferretti (que assina os cubos das rodas e os faróis). Foi também usado por Pio XI, como indica o brasão pintado nas portas. É o único exemplar de landau papal, facilmente transformável em veículo aberto para que o Pontífice se pudesse mostrar durante o trajeto, podendo transportar até quatro pessoas.

Berlina di Gala con Trono
Realizada em Roma pelos Irmãos Casalini, renomados fabricantes de carruagens, sob o pontificado de Pio IX. Foi preparada como uma "sala do trono", com o interior encimado por um teto com a pomba do Espírito Santo finamente bordada em fio de prata. Os brasões de Pio IX e Pio X indicam que foi utilizada em vários pontificados, até ao início do século XX.

Nove Berline Cerimoniais
Conjunto de nove carruagens de gala pertencentes a Papas ou Príncipes da Santa Igreja Romana. Destaca-se a do Cardeal Luciano Luigi Bonaparte, que a recebeu de presente do seu primo Napoleão III, imperador de França.

Due Storiche Berline da Viaggio
A primeira foi utilizada por Pio IX no seu regresso do exílio após os motins revolucionários da República Romana. A segunda serviu para a última viagem de um "Papa-Rei" pelas terras pontifícias da Romanha.

Bianchi Tipo 15
Doada a Pio XI pela Associação das Mulheres Católicas da Arquidiocese de Milão pouco após o início do seu pontificado. Com a matrícula "Corpo Diplomatico 404", foi a primeira viatura a entrar no Estado do Vaticano.

Graham Paige 837
Doada a Pio XI a 10 de novembro de 1929 pelos irmãos Graham por ocasião da Conciliação entre a Igreja e o Estado italiano. Foi utilizada por Pio XI e por Pio XII (cujo brasão permanece nas portas). Foi a primeira viatura a sair do Vaticano após a Queda de Roma (20 de setembro de 1870), quando Pio XI a usou para ir a Latrão celebrar o 50º aniversário da sua ordenação sacerdotal. Em dezembro de 1939, Pio XII usou-a para visitar os soberanos de Itália no Quirinale. É testemunha do bombardeamento americano de São Lourenço (19 de julho de 1943), quando Pio XII, como Bispo de Roma, se precipitou a levar conforto ao seu povo.

Citroën Lictoria C6
Viatura especialmente concebida para o Papa, oferecida aquando da assinatura dos Pactos Lateranenses (1929).

Mercedes 460 Nürburg Limousine
Primeira Mercedes do Vaticano, desenhada por Ferdinand Porsche.

Fiat Campagnola
Viatura ligada ao atentado sofrido por João Paulo II em 13 de maio de 1981, na Praça de São Pedro. Foi doada a João Paulo II durante uma visita a Turim.

Mercedes 300 SEL
Viatura pertencente à frota automóvel dos Museus Vaticanos.

Tre Papamobili (Land Rover, Toyota e Mercedes 230 GE)
Papamóveis blindados que surgiram imediatamente após o atentado de 1981.

Renault 4
Oferecida em 2013 ao Papa Francisco.

Volante della Ferrari F1 2003
Volante do carro de Fórmula 1 de Michael Schumacher, doado a Bento XVI com a dedicatória: "O volante do F1 Campeão do Mundo a Sua Santidade Bento XVI, piloto da cristandade".

12 – Galeria dos Candelabros

Construída originalmente na segunda metade do século XVI como uma loggia aberta voltada para a parte mais alta do Pátio do Belvedere, a galeria foi fechada e transformada no espaço que vemos hoje em 1785, por ordem do Papa Pio VI Braschi (1775-1799). A transformação foi confiada aos arquitetos Michelangelo Simonetti e Giuseppe Camporesi, que criaram um corredor fechado para preservar as esculturas ali colocadas. O papa Leão XIII (1878-1903) promoveu uma reforma completa, resultando na decoração atual. A galeria leva o nome dos imponentes candelabros de mármore que, juntamente com colunas de mármore colorido, dividem o espaço em seis seções expositivas.

SeçãoConteúdo
ICandelabros de mármore (século II d.C.) que dão nome à galeria; Sarcófago com cenas do mito de Protesilau
IISarcófago com a matança dos Nióbides; estátuas de divindades e heróis greco-romanos
IIICriança estrangulando um ganso (cópia romana de original grego); Tique (Fortuna) de Antioquia
IVAtalanta (atribuída a Praxíteles); sarcófagos com cenas do mito de Orestes
VCandelabros Barberini (provenientes da Villa Adriana); estátuas femininas e retratos imperiais
VIÚltima seção com obras de transição para a Galeria das Tapeçarias; relevos e fragmentos arquitetônicos
Galleria dei Candelabri nos Museus do Vaticano, corredor com estátuas clássicas, candelabros e piso de mármore geométrico
Di Fabrizio Garrisi – Opera propria, CC BY-SA 4.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=127302299
Principais Obras:

Candelabros de Mármore (Início do século II d.C.)
Par de candelabros de mármore do século II d.C., encontrados no século XVII perto da igreja de Sant'Agnese, na Via Nomentana, em Roma. Deram nome à galeria e foram amplamente utilizados como modelo para candeeiros públicos neoclássicos.

Sarcófago com Cenas do Mito de Protesilau (170 d.C.)
Sarcófago em mármore do ano 170 d.C., proveniente da Via Ápia, em Roma. É decorado com relevos que contam a história de Protesilau, o primeiro herói grego a desembarcar em Troia e o primeiro a morrer na guerra.

Sarcófago com a Matança dos Nióbides (160 d.C.)
Sarcófago em mármore do ano 160 d.C., com relevos representando a terrível vingança de Apolo e Ártemis contra os filhos de Níobe. Encontrado em Roma, é um importante exemplo de escultura romana.

Criança estrangulando um Ganso
Estátua em mármore, cópia romana de um original grego em bronze de cerca de 300 a.C., atribuído a Boethos de Calcedônia. Representa uma criança brincando com um ganso, tema popular na arte helenística e romana.

Tique (Fortuna) de Antioquia
Estátua em mármore, cópia romana de um original grego em bronze de cerca de 300 a.C., do escultor Eutychides. Representa a deusa da sorte sentada sobre uma rocha, símbolo da cidade de Antioquia.

Atalanta
Estátua em mármore do século I a.C., atribuída ao escultor grego Praxíteles (século IV a.C.). Representa a heroína da mitologia grega conhecida por sua velocidade na corrida.

Sarcófagos com Cenas do Mito de Orestes (Metade do século II d.C.)
Conjunto de sarcófagos do século II d.C., decorados com relevos que narram episódios da trágica história de Orestes, o herói grego que vingou a morte de seu pai, Agamemnon.

Candelabros Barberini
Monumentais candelabros em mármore branco do século II d.C., provenientes das escavações da Villa Adriana em Tivoli. Faziam parte da famosa coleção Barberini antes de serem adquiridos para os Museus Vaticanos.

13 – Galeria das Tapeçarias

A Galeria das Tapeçarias foi instalada em 1838 para abrigar a série de tapeçarias da Escola Nova, nome que as distingue das da Escola Velha, expostas na Pinacoteca Vaticana. As da Escola Velha foram tecidas em Bruxelas, na manufatura de Pieter van Aelst, durante o papado de Leão X (1513-1521) a partir dos desenhos de Rafael.

As peças da Escola Nova foram executadas na mesma oficina flamenga durante o pontificado de Clemente VII (1523-1534), mas sob os desenhos dos discípulos de Rafael, sendo expostas pela primeira vez na Capela Sistina em 1531. A decoração da abóbada foi realizada entre 1788 e 1789 por encomenda de Pio VI, com pinturas de Bernardino Nocchi, Domenico Del Frate e Antonio Marini, que celebraram as virtudes do pontífice.

SeçãoConteúdo
Seção Esquerda – Histórias do Evangelho (Século XVI)Tapeçarias flamengas da manufatura de Pieter van Aelst, executadas a partir dos desenhos dos discípulos de Rafael Sanzio
Seção Direita – Vida do Papa Urbano VIII (Século XVII)Tapeçarias da Manufatura Barberini de Roma, produzidas entre 1663 e 1679
Galleria degli Arazzi nos Museus do Vaticano, corredor com tapeçarias renascentistas nas paredes e teto decorado com afrescos
By Fabrizio Garrisi – Own work, CC BY-SA 4.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=118305377
Principais Obras:

Adoração dos Pastores
Tapeçaria flamenga do século XVI, desenhada por Tommaso Vincidor, discípulo de Rafael. Representa o nascimento de Jesus e o momento da adoração pelos pastores.

Apresentação de Jesus no Templo
Tapeçaria flamenga do século XVI com cena do Novo Testamento.

Matança dos Inocentes com Paisagem
Tapeçaria flamenga que retrata o episódio bíblico da matança das crianças ordenada por Herodes, inserido em uma paisagem campestre.

Matança dos Inocentes com o Panteão
Versão da mesma cena, ambientada em uma praça romana onde se destaca o Panteão.

Ceia em Emaús
Tapeçaria que representa o momento em que Cristo ressuscitado se revela aos discípulos durante a refeição em Emaús.

Aparição de Jesus a Santa Maria Madalena
Tapeçaria que retrata o encontro de Cristo ressuscitado com Maria Madalena.

Ressurreição de Jesus Cristo
Tapeçaria com a cena central da fé cristã: a ressurreição de Cristo. Localização: Parede esquerda da galeria.

Vincenzo Maffeo Barberini é Criado Cardeal
Tapeçaria barroca da Manufatura Barberini (século XVII) que documenta a nomeação do futuro papa Urbano VIII como cardeal por Paulo V.

Vincenzo Maffeo Barberini é Eleito Papa com o Nome de Urbano VIII
Tapeçaria histórica que celebra a eleição de Urbano VIII ao trono pontifício. Localização: Parede direita da galeria.

Urbano VIII Consagra a Basílica de São Pedro
Tapeçaria monumental que representa a cerimônia de consagração da Basílica de São Pedro.

14 – Galeria dos Mapas

A Galeria foi encomendada pelo Papa Gregório XIII Boncompagni e o corredor de 120 metros construído entre 1578 e 1580 pelo arquiteto Ottaviano Nonni, conhecido como Mascherino, para ligar o Palácio Apostólico à Torre dei Venti, onde ficava o observatório astronômico do Papa. Os afrescos, dirigidos pelo renomado geógrafo, matemático e astrônomo dominicano Ignazio Danti, foram realizados em tempo recorde, entre 1580 e 1581, por uma equipe de pintores tardios renascentistas, incluindo Girolamo Muziano, Cesare Nebbia e os irmãos flamengos Matthijs e Paul Bril. A galeria representa regiões da Itália. O teto possui pinturas que retratam episódios milagrosos correspondentes às regiões onde ocorreram.

Galleria delle Carte Geografiche nos Museus do Vaticano, corredor com teto decorado com afrescos renascentistas e dourados
By daryl_mitchell from Saskatoon, Saskatchewan, Canada – Gallery of Maps Ceiling, CC BY-SA 2.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=40681150
Principais Obras:

Vistas dos Quatro Principais Portos
Quatro painéis maiores que retratam os principais portos italianos do século XVI: Civitavecchia, Gênova, Ancona e Veneza.

Cerco de Malta e Batalha de Lepanto
Retratam dois eventos cruciais do pontificado de Gregório XIII: o Cerco de Malta (1565) e a Batalha de Lepanto (1571), ambas vitórias da cristandade contra o Império Otomano.

Plantas das Principais Cidades
Dispersos pelas paredes, há inúmeros painéis menores com mapas detalhados das cidades mais importantes da Itália renascentista, mostrando muralhas, ruas e edifícios principais.

Cenas Históricas e Eventos Salientes
Espalhadas pela galeria, cenas pintadas de eventos históricos e religiosos, como a Batalha do Metauro (207 a.C.) ou o Cerco de Mirandola (1511) pelo Papa Júlio II, contextualizando as regiões representadas.

Cenas do Teto (51 quadros)
Localizadas no teto da galeria, 51 seções dentro de molduras de estuque ricamente decoradas. Retratam episódios da história da Igreja, cenas do Antigo Testamento e os santos padroeiros das várias regiões italianas.

Inscrições e Legendas
Espalhadas por toda a galeria, inscrições e legendas em latim escritas por Ignazio Danti. Fornecem informações geográficas, históricas e políticas sobre os territórios representados.

15 – Capela de Pio V

O Apartamento foi encomendado pelo Papa Pio V (1566-1572), dominicano de nascimento (Antonio Ghislieri), que durante seu pontificado promoveu a unificação da cristandade contra a ameaça turca, vencendo a histórica Batalha de Lepanto em 1571. O conjunto arquitetônico foi construído entre 1556 e 1572 e decorado pelos afrescos de Giorgio Vasari e seu discípulo Jacopo Zucchi. A decoração pictórica também contou com a participação de Federico Zuccari. Após um restauro em 1818 ordenado pelo Papa Pio VII, o local foi integrado ao percurso dos Museus Vaticanos.

SeçãoConteúdo
Galeria de São Pio VEspaço central do apartamento. Nas paredes, estão penduradas importantes tapeçarias flamengas dos séculos XV e XVI, de diferentes procedências. No teto, destacam-se os afrescos de Giorgio Vasari e Federico Zuccari.
Duas Saletas LateraisA primeira abriga a Coleção de Cerâmicas Medievais e Renascentistas; a segunda, a Coleção de Mosaicos Minutos.
Capela de São Pio VA mais importante das três capelas sobrepostas construídas por Pio V, localizada no final da galeria. A decoração a estuques e afrescos, inspirados nas Histórias de São Pedro, é obra de Giorgio Vasari e de seu discípulo Jacopo Zucchi (1570).
Capela do Apartamento de Pio V nos Museus do Vaticano, com cúpula decorada com afrescos e piso em xadrez de mármore
Fabrizio Garrisi, CC BY-SA 4.0 , via Wikimedia Commons
Principais Obras:

Tapeçarias Flamengas da Manufatura de Tourna
Consideradas as mais preciosas da coleção, datando da segunda metade do século XV. Foram tecidas na prestigiada manufatura de Tournai, na Bélgica.

Afrescos de Giorgio Vasari e Jacopo Zucchi
Os afrescos, executados por Vasari e seu discípulo Jacopo Zucchi, decoram as paredes e o teto da capela. No teto, a cena principal representa Anjos Lutando Contra Demônios, um tema de forte significado espiritual e contra-reformista.

Coroação de Maria
Executada sobre um cartão (desenho) de um discípulo de Rafael, representando a coroação da Virgem Maria.

Religião, Justiça e Caridade
Tapeçaria tecida pela manufatura de Pieter van Aelst em 1525, simbolizando as virtudes teologais e cardeais.

Coleção de Cerâmicas Medievais e Renascentistas
Reúne fragmentos de cerâmica que foram resíduos de antigas pavimentações dos Palácios Apostólicos entre os séculos XIV e XVIII. Inclui bocais medievais decorados com esmalte de elementos geométricos e cerâmicas renascentistas de vários tipos. A coleção foi instalada neste espaço a partir de 1997.

Relicários Sancta Sanctorum
Coleção de preciosos relicários e objetos de ourivesaria provenientes do Sancta Sanctorum, a antiga capela privada dos papas no Palácio de Latrão. Foram redescobertos em 1905 dentro de uma caixa de madeira da época do Papa Leão III (VIII-IX século).

16 – Estância de Constanti (Quartos de Rafael)

A Sala de Constantino foi encomendada pelo Papa Leone X de’ Medici (1513-1521), sendo a quarta e última sala do apartamento papal, destinada aos banquetes e recepções de embaixadores e autoridades. Os trabalhos de decoração começaram em 1517, com o próprio Raffaello Sanzio responsável pelos desenhos dos cartões, mas sua morte prematura em 6 de abril de 1520 interrompeu a obra, que foi concluída entre 1520 e 1524 por seus principais discípulos, Giulio Romano e Giovan Francesco Penni, sob o pontificado de Clemente VII (1523-1534).

O ciclo de afrescos celebra a vitória do Cristianismo sobre o paganismo e a afirmação do primado da Igreja Romana, temas diretamente ligados ao Imperador Constantino, que, segundo a tradição, após se converter, se submeteu à autoridade papal, reconhecendo sua superioridade sobre o poder temporal.

Principais Obras:

Batalha de Constantino contra Maxêncio
A cena mais grandiosa da sala, que ocupa toda a parede central. Representa o confronto decisivo entre os exércitos de Constantino e Maxêncio na Ponte Milvio. Na parte direita da composição, vê-se a ponte sobre o rio Tibre, onde os soldados de Maxêncio são derrotados e atirados nas águas.

Batismo de Constantino
O afresco retrata o batismo que Constantino teria recebido do Papa Silvestre I. Historicamente, o imperador foi batizado pouco antes de morrer pelo bispo ariano Eusébio de Nicomédia. A cena é ambientada em um edifício de planta central que lembra o Batistério Lateranense. O Papa Silvestre (com as feições do Papa Clemente VII) derrama água sobre a cabeça do imperador ajoelhado e seminú. A inscrição no livro do sacerdote afirma: «Hodie salus Urbi et Imperio facta est» (Hoje a salvação foi concedida à Cidade e ao Império).

Doação de Roma
O afresco celebra o ato pelo qual Constantino teria doado Roma e as regiões do Ocidente ao Papa Silvestre I, ato fundador do poder temporal da Igreja.

Monocromias nas Paredes
Na base das paredes, abaixo dos grandes afrescos, encontram-se monocromias em tons de bronze que retratam episódios adicionais da vida do imperador e do papa, incluindo momentos da batalha, imagens da nova Roma cristã inaugurada com a derrota de Maxêncio, e outros eventos significativos.

Triunfo do Cristianismo sobre o Paganismo
O teto original de madeira da época de Leão X foi substituído sob o pontificado de Gregório XIII (1572-1585) pelo atual teto decorado com afrescos. A decoração foi confiada a Tommaso Laureti, que pintou o painel central intitulado Triunfo do Cristianismo sobre o Paganismo. A obra foi concluída no final de 1585, sob o pontificado de Sisto V (1585-1590).

17 – Estância de Heliodoro (Quartos de Rafael)

A Stanza di Eliodoro é o segundo ambiente decorado por Raffaello Sanzio (1483-1520) entre 1511 e 1514. Originalmente destinada às audiências privadas do pontífice com as mais altas autoridades políticas, religiosas e diplomáticas, substituiu a decoração anterior de Piero della Francesca, cujos vestígios foram perdidos. O programa decorativo tem forte caráter político-celebrativo e foi concebido num momento de incerteza para a Igreja.

Afresco A Missa de Bolsena de Rafael na Stanza di Eliodoro dos Museus do Vaticano, retratando o milagre eucarístico e o Papa Urbano IV.
Di Raffaello Sanzio – Sconosciuta, Pubblico dominio, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=1866069
Principais Obras:

Expulsão de Heliodoro do Templo
O afresco representa o episódio bíblico do Livro dos Macabeus: Heliodoro, ministro do rei da Síria, é enviado a Jerusalém para confiscar o tesouro do Templo reservado às viúvas e órfãos. No interior do Templo, é surpreendido por um cavaleiro celestial montado num corcel branco e por dois jovens anjos que o açoitam, derrubando-o ao solo. O Papa Giulio II aparece como espectador na cena, sendo transportado numa sedia gestatoria. O milagre demonstra a proteção divina do patrimônio da Igreja sempre que ameaçado.

Missa de Bolsena
O afresco retrata o milagre eucarístico de Bolsena (1263), quando um sacerdote boêmio que duvidava da presença real de Cristo na Eucaristia viu a hóstia começar a sangrar sobre o corporal. O Papa Giulio II, que encomendou o afresco, está representado ajoelhado diante do altar junto com sua guarda suíça. A obra celebra o culto da Eucaristia e a fé católica diante das ameaças heréticas.

Libertação de São Pedro
O afresco narra a libertação milagrosa do apóstolo Pedro da prisão de Herodes Agripa (Atos dos Apóstolos 12:1-11). A cena é dividida em três momentos: no centro, o anjo desperta Pedro dentro da cela; à direita, o anjo o guia para fora; à esquerda, os guardas descobrem a fuga. Raffaello usou a técnica inovadora da velatura a calce para criar o efeito da luz noturna da tocha e do luar que iluminam a cena.

Encontro de Leão Magno com Átila
O afresco representa o lendário encontro em 452 d.C. entre o Papa Leão I (Leão Magno) e Átila, rei dos Hunos, às portas de Roma. Segundo a tradição, a aparição celestial dos apóstolos Pedro e Paulo com espadas desembainhadas teria convencido Átila a recuar. O papa Leão X, que sucedeu Giulio II, está retratado na figura do pontífice a cavalo. A obra simboliza a proteção divina da sede papal contra inimigos externos.

18 – Estância da assinatura (Quartos de Rafael)

Foi o primeiro ambiente decorado por Raffaello Sanzio nos Palácios Vaticanos. O Papa Giulio II della Rovere (pontífice de 1503 a 1513) destinou a sala a biblioteca e estudo privado. A decoração pictórica foi executada por Raffaello entre 1508 e 1511. O nome da sala deriva do mais alto tribunal da Santa Sé, a Segnatura Gratiae et Iustitiae, que ali se reunia a partir de meados do século XVI. Durante o pontificado de Leão X (1513-1521), o ambiente foi transformado em estúdio e sala de música, onde o papa guardava sua coleção de instrumentos musicais.

Afresco A Escola de Atenas de Rafael na Stanza della Segnatura dos Museus do Vaticano, com Platão e Aristóteles no centro cercados por filósofos gregos
Principais Obras:

Disputa do Santíssimo Sacramento
O afresco representa o Vero sobrenatural (Teologia). A cena está organizada em torno de um eixo vertical que vai de Deus Pai, passando por Cristo e o Espírito Santo, até a hóstia consagrada no altar. Na parte superior, a Igreja Triunfante com a Trindade, a Virgem Maria, São João Batista, os Apóstolos e os Profetas; na parte inferior, a Igreja Militante com Papas, cardeais, bispos, teólogos (como São Jerônimo, Santo Agostinho, São Tomás de Aquino, Dante Alighieri) e o próprio Papa Júlio II retratado como espectador, junto com o pintor Fra Angelico e o arquiteto Donato Bramante.

Escola de Atenas
O afresco representa o Vero racional (Filosofia). É a obra de Raffaello que mais exige uma observação atenta. Ambientada numa imponente arquitetura clássica, reúne os maiores filósofos da antiguidade: Platão (com o rosto de Leonardo da Vinci) aponta para o céu; Aristóteles aponta para a terra; Sócrates dialoga com seus discípulos; Pitagora escreve; Heráclito está sentado nos degraus; Euclides ensina geometria; e o próprio Raffaello se retratou à direita junto com seu mestre Perugino e o arquiteto Bramante. O afresco celebra a capacidade humana de conhecer a verdade através da ciência e da razão.

Parnaso
A composição é ambientada no Monte Parnaso, morada das Musas. No centro, está Apolo tocando lira, cercado pelas nove Musas e pelos maiores poetas da antiguidade e do Renascimento: à esquerda, os poetas épicos Homero (cego), Dante Alighieri e Virgílio; à direita, os poetas líricos Safo, Píndaro, Horácio, Ovídio, Petrarca e Boccaccio.

Virtudes Cardeais e Teologais e a Lei
O afresco representa o Bene (Jurisprudência) e divide-se em três partes.

19 – Estância do incêndio de Borgo (Quartos de Rafael)

Foi o terceiro ambiente decorado por Raffaello Sanzio (1483-1520) e seus ajudantes, entre 1514 e julho de 1517. É também a última sala em que o mestre trabalhou pessoalmente. O teto, no entanto, foi afrescada anteriormente por Pietro Vannucci, chamado il Perugino, entre 1507 e 1508, por encomenda do Papa Júlio II.

No tempo de Júlio II (pontífice de 1503 a 1513), a sala era utilizada para as reuniões do mais alto tribunal da Santa Sé: a Segnatura Gratiae et Iustitiae, presidida pelo pontífice.

No tempo de Leone X (pontífice de 1513 a 1521), que sucedeu Júlio II, o ambiente foi transformado em sala de jantar comum (camera da pranzo ordinaria).

Estância do Incêndio de Borgo (Stanza dell'Incendio di Borgo) nos Museus do Vaticano, sala decorada por Rafael com afrescos renascentistas
Principais Obras:

Incêndio de Borgo
O afresco, que deu nome à sala, representa um evento lendário ocorrido em 847 d.C., durante o pontificado de Leone IV. Um grande incêndio devastou o bairro romano de Borgo (localizado entre o Vaticano e o rio Tibre). O papa, retratado à esquerda na loggia do antigo Palácio Papal, aparece dando a bênção sobre a cidade em chamas, o que teria extinto milagrosamente as chamas por intervenção divina.

Batalha de Óstia
O afresco representa a batalha naval de Óstia ocorrida em 849 d.C., durante o pontificado de Leone IV. A frota cristiana, liderada pelo Papa, enfrenta e derrota a frota sarracena na foz do rio Tibre. À esquerda, reconhece-se o castelo de Óstia. O Papa Leone IV, sentado em um trono, assiste à vitória enquanto os prisioneiros inimigos são conduzidos até ele.

Juramento de Leão III
O afresco retrata o episódio ocorrido em 800 d.C., dois dias antes da coroação de Carlos Magno. O Papa Leone III, assistido por dois diáconos, coloca as mãos sobre o livro dos Evangelhos e jura perante Deus e diante dos presentes que é inocente das falsas acusações movidas contra ele pelos sobrinhos do Papa Adriano I.

Coroação de Carlos Magno
O afresco retrata a noite de Natal do ano 800 d.C., quando o Papa Leone III, sentado no trono e cercado por numerosos bispos, coloca a coroa imperial sobre a cabeça de Carlos Magno, rei dos francos, ajoelhado diante dele. Um jovem pajem segura a coroa real que foi deposta do rei para ser substituída pela coroa imperial.

20 – Capela Nicolina

Capela Nicoliniana decorada por Fra Angelico nos Museus do Vaticano, com afrescos do século XV retratando cenas da vida dos santos
Di Beato Angelico – Web Gallery of Art:   Immagine  Info about artwork, Pubblico dominio, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=7281969

A Capela Nicolina está localizada na parte mais antiga do Palácio Apostólico do Vaticano, dentro da Torre de Inocêncio III, nas proximidades das Salas de Rafael. Foi construída para ser a capela privada do Papa Nicolau V (Tommaso Parentucelli, 1447-1455), que decidiu transformar um espaço pré-existente na torre medieval para esse fim.

No primeiro ano de seu pontificado, Nicolau V chamou o pintor dominicano Fra Giovanni da Fiesole, conhecido como Beato Angelico (c.1395-1455), para decorar a capela. O artista já estava em Roma desde 1445, chamado pelo Papa Eugênio IV, e os primeiros pagamentos para os afrescos foram registrados entre 9 de maio e 1º de junho de 1447.

A decoração da capela foi concluída no final de 1448, sendo celebrada na época de Natal. A obra é considerada uma das mais importantes do Quattrocento italiano e o ponto culminante do que foi definido como “Humanismo Cristão” do Beato Angelico.

Os afrescos da Capela Nicolina narram em paralelo as vidas dos dois santos protomártires: Santo Estêvão (registro superior) e São Lourenço (registro inferior).

21 – Capela de Urbano VIII

Capela feita em 1631 a pedido do papa Urbano VIII destinada às tarefas litúrgicas de forma privada.

Teto decorado da Capela de Urbano VIII nos Museus do Vaticano, com afrescos barrocos, ornamentos dourados e querubins
By Fabrizio Garrisi – Own work, CC BY-SA 4.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=118686406

A capela é dedicada à Virgem Maria e aos Santos Pedro e Paulo, protetores da cidade de Roma. A decoração pictórica foi inicialmente confiada ao pintor florentino Alessandro Vaiani, que começou o trabalho pouco antes de morrer, provavelmente assistido por sua filha Anna Maria Vaiani, uma das raras artistas do século XVII. A pala de altar foi realizada alguns anos depois, em 1635, pelo célebre Pietro da Cortona, um dos principais protagonistas do barroco romano, chamado para substituir uma obra anterior dos Vaiani talvez pouco apreciada.

22 – Apartamentos Borja

Os Apartamentos Bórgia foram criados como residência privada do Papa Alexandre VI (Rodrigo de Borja y Doms) e de sua família, que governou de 1492 a 1503, um período marcado pela descoberta da América e pelo Grande Jubileu de 1500.

Desde 1973, o apartamento abriga uma importante coleção de arte moderna e contemporânea, inaugurada por Paulo VI, com cerca de 600 obras de pintura, escultura e gravura, fruto de doações de artistas contemporâneos italianos e estrangeiros. A coleção inclui obras de Gauguin, Chagall, Klee e Kandinskij.

SeçãoConteúdo
Sala das SibilasDoze lunetas com pares de Sibilas e Profetas a meia-figura sobre fundo azul. No centro da abóbada, o Anúncio do Nascimento de Cristo.
Sala do CredoDoze lunetas com pares de Apóstolos e Profetas segurando filactérios com os versículos do Credo.
Sala das Artes LiberaisAbóbada decorada com as alegorias das Sete Artes Liberais (Gramática, Retórica, Lógica, Aritmética, Música, Geometria, Astronomia).
Sala dos SantosCenas da vida dos santos, com destaque para o Disputa de Santa Catarina de Alexandria. Abóbada decorada com mitos egípcios (Ísis, Osíris, o touro Ápis).
Sala dos MistériosEpisódios da vida de Cristo (Anunciação, Natividade, Adoração dos Magos, Ressurreição).
Sala dos PontíficesA maior sala, destinada a cerimônias oficiais. Refeitada após 1500, foi decorada no século XVI por Perin del Vaga e Giovanni da Udine.
Detalhe de afresco de Fra Angelico na Capela Nicoliniana do Vaticano, mostrando papa ajoelhado em oração com vestes litúrgicas ricamente bordadas
Di Pinturicchio – Opera propria, Pubblico dominio, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=269722
Contêm afrescos significativos de Pinturicchio e seus assistentes, como por exemplo: as cenas de "A Resurreição", com o retrato do Papa Alexandre VI, e Lucrecia Borgia como Santa Catalina de Alejandría.

23 – Sala Borja

Composta por dois andares, abriga parte da Coleção de Arte Religiosa Moderna dos Museus Vaticano.

24 – Coleção de Arte Religiosa Moderna

Foi instituída em 1973 por Paulo VI, que em 1964 convocou representantes do mundo das artes na Capela Sistina para restabelecer o vínculo entre a Igreja e a cultura contemporânea. Inicialmente composta por cerca de 900 opere, a coleção foi aberta ao público em 23 de junho de 1973 e hoje conta com aproximadamente 8.400 opere, incluindo obras de Van Gogh, Matisse e Marino Marini.

Pintura A Pietá de Vincent van Gogh (segundo Delacroix) exposta na Coleção de Arte Religiosa Moderna dos Museus do Vaticano
Por Vincent van Gogh – Obra do próprio, Domínio público, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=47261362

A coleção está distribuída em 55 salas e saletas, ocupando espaços distintos dentro do Palácio Apostólico.

Principais Obras:

Pietà (1890) – Vincent van Gogh
Uma das obras mais famosas da coleção, pintada por van Gogh em 1889, durante sua estada no asilo de Saint-Rémy-de-Provence.

O Pensador (1880) - Auguste Rodin
Escultura em bronze, uma fusão póstuma do famoso original, doada pelo Museu Rodin de Paris. Representa um homem em profunda meditação, símbolo universal da filosofia e da reflexão.

Materiais da Capela do Rosário de Vence (1952) - Henri Matisse
Conjunto de materiais preparatórios para a única obra sacra do artista francês, doado por seu filho, Pierre Matisse, em 1980. O núcleo, exibido na Sala Matisse (Sala 14), inclui uma fusão em bronze do Crucifixo para o altar, o cartão em tamanho natural para a cerâmica do presbitério (A Virgem com o Menino) e os modelos 1:1 para as três vitrais policromadas da abside, do coro e da nave, criados com a técnica do papier découpé. Este conjunto é considerado único no mundo.

Crucificação (década de 1960) – Francis Bacon
Pintura do artista irlandês, doada pelo industrial italiano Gianni Agnelli. A obra, uma das mais impactantes da coleção, representa a crucificação de Cristo em um estilo expressionista abstrato e fragmentado, refletindo a angústia e a violência do século XX.

Bem-aventurados os puros de coração (1892) - Paul Gauguin
Relevo em madeira policromada esculpida, parte do ciclo de obras que Gauguin produziu durante sua estadia no Taiti. A peça integra a série de esculturas que exploram temas bíblicos e espirituais em um contexto primitivista.

Cristo em Glória (década de 1940) - Giorgio de Chirico
Pintura metafísica, doada pelo colecionador Giovanni Falck. A obra representa Cristo em uma glória celestial, inserido em uma paisagem arquitetônica onírica e vazia, típica do estilo do artista italiano.

Esboços para a Porta da Paz (década de 1960) - Giacomo Manzù
Conjunto de estudos e modelos preparatórios para a Porta da Paz da Basílica de São Pedro, doados por Monsenhor Giuseppe De Luca. As obras documentam o processo criativo do escultor italiano para a criação da porta de bronze da basílica.

Domingo (1905) - Wassily Kandinsky
Litografia, uma das obras do artista russo que exploram temas religiosos em suas composições abstratas e coloridas.

Crucificação (1970) - Marc Chagall
Litografia, parte de um conjunto de obras doadas pelo próprio artista. A peça representa a crucificação de Cristo com o uso de cores vivas e formas oníricas características da linguagem poética de Chagall, mesclando simbolismo judaico-cristão.

Cidade com Catedral Gótica (1925) - Paul Klee
Aquarela, uma das obras do artista suíço que integra a coleção, adquirida através de doações de colecionadores particulares. A pintura representa uma cidade idealizada com uma catedral gótica ao fundo, característica do estilo lírico e infantil de Klee.

Miserere (1927) - Georges Rouault
Série de 20 gravuras, parte do ciclo Miserere, que explora a paixão de Cristo e a condição humana através de fortes contrastes de claro-escuro e formas expressionistas.

Tentações de Santo Antônio (década de 1940) - Salvador Dalí
Desenho ou pintura, doado pelo Rei Juan Carlos da Espanha. A obra retrata o santo sendo tentado por demônios e criaturas fantásticas, típica do estilo surrealista e onírico de Dalí.

Natividade (1946) - Giorgio de Chirico
Pintura a óleo, parte de um conjunto de obras do artista que exploram temas bíblicos em um estilo neometafísico. A obra representa o nascimento de Cristo.

Ressurreição (1946) - Otto Dix
Desenho, uma das obras do artista alemão que integra a coleção, adquirida através de doações de colecionadores particulares. O desenho representa a ressurreição dos mortos, refletindo o realismo crítico e expressionista de Dix.

Os Monges Leitores (1932) - Ernst Barlach
Escultura em bronze, parte do conjunto de obras expressionistas alemãs da coleção. Representa dois monges absortos na leitura, refletindo o humanismo e a espiritualidade.

25 – Capela Sistina

A Capela Sistina foi construída entre 1475 e 1481 por vontade do Papa Sisto IV della Rovere (pontífice de 1471 a 1484), que mandou restaurar a antiga Cappella Magna, de onde deriva o nome. O projeto arquitetônico é atribuído a Baccio Pontelli e as dimensões da capela (40,23 m de comprimento, 13,41 m de largura e 20,70 m de altura) foram inspiradas no Templo de Salomao de Jerusalém, descrito no Antigo Testamento.

Teto da Capela Sistina pintado por Michelangelo com afrescos do Gênesis nos Museus do Vaticano

A capela foi consagrada em 15 de agosto de 1483 pelo próprio Sisto IV, que a dedicou a Nossa Senhora da Assunção. Desde então, é o local onde se realizam o Conclave e outras cerimônias oficiais do papado. O primeiro conclave realizado na Capela Sistina foi em 1492, quando foi eleito o Papa Alexandre VI Bórgia.

Entre as obras mais notáveis estão "A Criação de Adão" e "O Juízo Final", ambas de Michelangelo.

26 – Biblioteca Vaticana

Foi fundada pelo papa Nicolau V em 1451. É uma das bibliotecas mais antiga do mundo, seu acervo é composto de relí­quias que remontam a partir do século I como manuscritos, fotografias, medalhas, moedas, desenhos, móveis etc. Não é aberta ao público. Uma parte do acervo está disponível para ser acessado online e você pode conferir no site: digi.vatlib.it/

Interior da Sala Sistina da Biblioteca Apostólica Vaticana, com teto abobadado decorado com afrescos, pilares pintados e estantes de madeira.
Авторство: Maus-Trauden. Собственная работаИсходный текст: selbst fotografiert, CC BY-SA 3.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=48584309
Principais Obras:

Códice Vaticano
O mais antigo manuscrito completo da Bíblia conhecido, em grego, datado do século IV. É um dos dois mais importantes testemunhos da Bíblia grega (com o Códice Sinaítico). Está na Biblioteca desde pelo menos o século XV.

Bíblia de Gutenberg
Um dos primeiros livros impressos na Europa com tipos móveis (c. 1455), impresso por Johannes Gutenberg. A Biblioteca Vaticana possui uma cópia em pergaminho, uma das mais preciosas do mundo.

Bula "Antiquorum habet fida relatio"
Bula papal de 22 de fevereiro de 1300 com a qual o Papa Bonifácio VIII proclamou o primeiro Jubileu da história. É um dos documentos mais importantes da Igreja.

Mensageiro das Estrelas
A obra publicada por Galileu Galilei em 1610, na qual descreveu suas primeiras observações astronômicas com o telescópio, incluindo as luas de Júpiter.

Moeda de ouro de Carlos Magno
Moeda de ouro cunhada por Carlos Magno e colocada por ele sobre a tumba de São Pedro em 781. É uma das mais antigas e preciosas peças numismáticas do Medalheiro Vaticano.

Mapa do Nilo (6 metros de comprimento)
Um mapa monumental do rio Nilo, com cerca de 6 metros de comprimento, que documenta o conhecimento geográfico do Egito na antiguidade.

Papiro mais antigo dos Evangelhos
Um dos mais antigos fragmentos de papiro com texto dos Evangelhos, conservado na Biblioteca.

27 – Museu Sacro

O Museu Sacro foi fundado em 1756 pelo Papa Bento XIV (1740-1758), sendo o núcleo original dos Museus da Biblioteca Apostólica Vaticana e um dos primeiros museus públicos dedicados à arte cristã primitiva e à antiguidade cristã. Criado com o objetivo de colecionar e preservar artefatos paleocristãos provenientes das catacumbas romanas, igrejas e outras coleções, a sua fundação visava salvaguardar o patrimônio artístico e religioso dos primeiros séculos do Cristianismo, organizando-o em um espaço museológico moderno, que surgiu em contraste com o “Museu Profano” (Museo Profano), fundado em 1767 e dedicado às antiguidades clássicas e profanas.

Capa de evangeliário em metal precioso com relevo da Santíssima Trindade e Cristo crucificado, acervo dos Museus do Vaticano
By Jean-Pol GRANDMONT – Own work, CC BY-SA 3.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=18338666

O Museu Sacro não está incluído no percurso comum dos Museus Vaticanos. O seu acesso é permitido apenas mediante solicitação especial a estudiosos e pesquisadores, por se tratar de um espaço da Biblioteca Apostólica Vaticana.

28 – Pátio da Pinha

No início do século XVI, o Papa Júlio II (pontífice de 1503 a 1513) encomendou ao arquiteto Donato Bramante a construção de um grande e majestoso pátio retangular com aproximadamente 300 metros de comprimento, que se estendia do Palácio Apostólico ao Palacete de Inocêncio VIII. O objetivo era ligar os apartamentos papais à vila que o papa havia herdado de Inocêncio VIII.

Pátio da Pinha (Cortile della Pigna) nos Museus do Vaticano com a grande pinha de bronze e a Basílica de São Pedro ao fundo

No final do século, porém, o pátio de Bramante foi dividido. Entre 1587 e 1588, o Papa Sisto V encomendou ao arquiteto Domenico Fontana a construção do edifício que abriga a Biblioteca Apostólica Vaticana, cortando o grande pátio ao meio.

O nome do pátio deriva da colossal Pinha de bronze que o domina.

Principais Obras:

Pinha de Bronze
Encontrada na Idade Média nas Termas de Agripa, em Roma. Esta colossal escultura de bronze, de quase 4 metros de altura e assinada por Publio Cincio Savio, é uma fonte romana do século I ou II d.C. que originalmente jorrava água pelas suas escamas. Colocada no topo da escadaria em 1704, serviu de inspiração para Dante, que a imortalizou na Divina Comédia como "a pinha de São Pedro".

Pavões de Bronze
Provenientes do Mausoléu de Adriano (atual Castelo Sant'Angelo), em Roma. Essas requintadas esculturas de bronze dourado do século II d.C. simbolizam a imortalidade. Após decorarem a fonte no átrio da antiga Basílica de São Pedro, foram transferidas para o pátio em 1608. As obras no pátio são réplicas, pois os frágeis originais foram transferidos para o Braço Novo do Museu Chiaramonti para melhor conservação.

Leões Agachados de Nectanebo I
Trazidos para Roma entre os reinados de Augusto e Adriano, provavelmente para decorar o Templo de Ísis no Campo de Marte, na cidade de Tell Baqliya, no delta do Nilo. Estas imponentes estátuas de basalto negro datam do reinado do faraó Nectanebo I (c. 378-360 a.C.) e têm uma longa história em Roma, tendo adornado o Panteão e a Fontana dell'Acqua Felice antes de serem colocadas no pátio em 1839 por ordem do Papa Gregório XVI.

Cabeça Colossal de Augusto
Provavelmente descoberta em Roma durante escavações do século XIX, sua origem exata é incerta. Esta imponente cabeça de mármore, embutida na parede que ladeia o Museu Chiaramonti, é considerada um retrato póstumo do imperador Augusto.

Grande Nicho
Construído entre 1562 e 1565 pelo Papa Pio IV e erroneamente atribuído a Bramante, foi na verdade projetado por Pirro Ligório. Esta monumental abside semicircular foi inspirada nos modelos dos Fóruns imperiais romanos e serve como um cenário teatral para a escadaria e a pinha.

Esfera com Esfera
Criada por Arnaldo Pomodoro e instalada no centro do pátio em 1990. A enorme esfera de bronze, com sua superfície rachada revelando um complexo mecanismo interno, gira lentamente com o movimento do vento.

29 – Pátio Belvedere

Foi projetado por Donato Bramante em 1505 e conectava o Palácio Vaticano com a Vila Belvedere. Júlio II gostava de colecionar estátuas e quando tomou posse do papado ele levou sua coleção para o Vaticano. Este foi um dos lugares que abrigou as coleções do papa Júlio II.

30 – Galeria do Braço Novo

Interior do Braccio Nuovo no Museu Chiaramonti dos Museus do Vaticano, corredor com estátuas clássicas em nichos, bustos e colunas de mármore
Por Jesús Moreno – Oliver-Bonjoch, CC BY-SA 3.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=4152147

A galeria inaugurada em 1822 está localizada dentro do pátio belvedere. Nela estão abrigadas estátuas da era romana.

31 – Museu Profano

Foi fundado por ordem de Gregório XVI em 16 de maio de 1844. O edifício iluminado por luz natural acolhe em seu interior conteúdos da arte clássica que vão desde a Grécia Antiga até o final do império romano.

SeçãoConteúdo
IEsculturas e relevos de tema profano (não cristão) da antiguidade clássica.
IIInscrições, epígrafes e mosaicos romanos.
IIIObjetos menores: gemas, camafeus, bronzes, terracotas e vidros.
IV Ourivesaria pré-colombiana e outros artefatos etnográficos.
Sala do Museu ProfanoO núcleo histórico original do museu, com mobiliário setecentista (armários de Luigi Valadier) e as coleções históricas (como o Camafeu Carpegna).
Principais Obras:

Par de relevos em prata
Par de relevos em prata atribuídos ao ourives Guglielmo della Porta ou sua escola, representando cenas bíblicas ou mitológicas com técnica refinada do Renascimento.

Camafeus ao estilo antigo
Dez camafeus produzidos por Giuseppe Girometti por volta de 1838, inspirados em gravuras de mestres helenísticos e em esculturas clássicas. Obras-primas da glíptica neoclássica.

Camafeu com Ajax de elmo
Camafeu que representa a cabeça de Ajax com elmo, carregada de força. Foi a última obra de Luigi Pichler, doada por ele ao Papa Pio IX em 1853.

Baixo-relevo com cavaleiro
Relevo descoberto em Pompeia em 1849, representando um cavaleiro com túnica curta e manto, incitando o cavalo com o chicote. Conserva traços da coloração original.

Peitoral em liga de ouro e cobre
Peitoral da cultura Muisca (atual Colômbia), em forma de pássaro em voo, decorado com figuras antropozoomorfas em relevo. Usado por xamãs ou caciques em rituais.

Estatueta de Hércules com capuz e pele de cabrito
Pequeno bronze do chamado "Caçador Itálico", representando Hércules com capuz pontiagudo, pele de veado e aljava. Provém do depósito votivo de Valle Fuino (Cascia), final do século VI - início do V a.C.

Estatueta de guerreiro com couraça e elmo-máscara
Bronze que representa um guerreiro com elmo de alta crista, rosto coberto por máscara e couraça de couro. Também de Valle Fuino, possivelmente um dançarino de dança guerreira de culto (terceiro quartel do século V a.C.).

Estatueta de ofertante devoto
Bronze notável do depósito votivo de Valle Fuino, representando uma figura masculina com manto de largas pregas e diadema. Datado do segundo quartel do século IV a.C., provavelmente um sacerdote ou divindade.

Senatus Consulto sobre a morte de Germânico César
Fragmento de placa de bronze com o texto do decreto senatorial que concedia honras fúnebres a Germânico, sobrinho de Augusto, falecido em 19 d.C. em circunstâncias suspeitas.

Tábua Homérica ou Tábua Tomassetti
Placa de mármore com baixos-relevos representando cenas dos poemas homéricos (Ilíada e Odisseia). Originalmente com 24 cenas da Odisseia, hoje restam 14. Proveniente dos arredores de Roma.

Cabeça-retrato de Décio Célio Calvino Balbino
Cabeça de bronze, a única certamente antiga das quatro expostas na sala. Encontrada na Via Ápia, em Roma, e doada ao Papa Clemente XIV em 1771. Representa o imperador Balbino, que reinou apenas 99 dias em 238 d.C.

Tábuas de patrocínio de Sentinum
Duas placas de bronze encontradas em Sentinum. A primeira (260 d.C.) nomeia Coretius Victorinus patrono de uma associação de centonários; a segunda (261 d.C.) nomeia Coretius Fuscus, sua esposa e seu filho como patronos de outra associação.

Tábua de patrocínio de Caio Mário Pudens Corneliano
Placa de bronze de 222 d.C., registrando a cooptação de Caio Mário Pudens Corneliano como patrono da colônia de Clunia Sulpicia (Hispânia). Encontrada no Aventino, em Roma, em 1776.

Estatueta de Selvans com inscrição votiva em língua etrusca
Pequeno bronze masculino (segunda metade do século IV a.C.) com inscrição em etrusco dedicada ao deus Selvans (equivalente ao Silvano romano). Pertenceu à coleção do Cardeal Gaspare Carpegna, descoberta em Scaulino (Rimini).

Busto do imperador Trajano em calcedônia
Pequeno e precioso busto em calcedônia, proveniente da coleção Carpegna. Representa o imperador Trajano (98-117 d.C.).

Objetos móveis em marfim e osso
Conjunto de nove pequenos artefatos do final do século I a.C. ao início do século IV d.C., incluindo cabeças femininas ideais, busto togato, boneca articulada, cabo em forma de Vitória alada e aplicação de móvel com Dioniso. Pertenciam à coleção Carpegna.

32 – Pátio da Pinacoteca

Recebeu este nome por estar adjacente à Pinacoteca Vaticana. Do local, é possível ter uma vista da cúpula da Basí­lica de São Pedro e do Giardino Quadrato (Jardim Quadrado).

33 – Pinacoteca Vaticana

A Pinacoteca moderna, concebida como uma exposição permanente aberta ao público, nasceu após a queda de Napoleão. Em 1817, seguindo as diretrizes do Congresso de Viena, o Papa Pio VII (1800-1823) ordenou a construção de um novo edifício no Vaticano para abrigar as pinturas, seguindo os desenhos do arquiteto Raffaele Stern. As obras, no entanto, só foram concluídas pelo Papa Pio XI em 1931, e a Pinacoteca foi finalmente inaugurada em 27 de outubro de 1932. O palácio, isolado e cercado por jardins, foi especialmente projetado pelo arquiteto Luca Beltrami para valorizar a luz natural das obras e finalmente dar uma sede definitiva à coleção pontifícia.

Pintura A Deposição de Cristo de Caravaggio, obra-prima barroca exposta na Pinacoteca dos Museus do Vaticano
Di Caravaggio – Scansione personale, Pubblico dominio, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=15219536

A Pinacoteca está organizada em 18 salas onde são expostas cerca de 460 pinturas, datadas do século XII ao XIX, dispostas em rigorosa ordem cronológica e por escola artística. As duas primeiras salas, por exemplo, abrigam obras medievais provenientes da coleção da Biblioteca Vaticana.

SeçãoConteúdo
I (Primitivos)Nicolò e Giovanni, Margaritone d’Arezzo, Bernardo Daddi.
II (Giotto e Giotteschi)Giotto, Simone Martini, Pietro Lorenzetti, Gentile da Fabriano.
III (Beato Angelico)Beato Angelico, Filippo Lippi, Benozzo Gozzoli.
IV (Melozzo da Forlì)Melozzo da Forlì, Marco Palmezzano.
V (Ercole de’ Roberti)Ercole de’ Roberti, Lucas Cranach, o Velho.
VI (Polípticos)Carlo Crivelli, Vittore Crivelli, Nicolò Alunno.
VII (Perugino)Perugino, Pinturicchio, Giovanni Santi.
VIII (Raffaello)Raffaello Sanzio, Pieter van Aelst (tapeçarias).
IX (Leonardo)Leonardo da Vinci, Giovanni Bellini, Correggio.
X (Escola de Raffaello e Pintura Veneciana)Tiziano, Veronese, Giulio Romano, Giovan Francesco Penni.
XI (Século XVI)Federico Barocci, Girolamo Muziano.
XII (Século XVII)Michelangelo Merisi da Caravaggio, Domenichino.
XIII (Século XVII)Pietro da Cortona, Mattia Preti.
XIV (Século XVII)Carlo Maratta, Guido Reni.
XV (Século XVIII)Giovanni Battista Crespi, Corrado Giaquinto.
XVI (Século XIX)Johann Wenzel Peter, Francesco Podesti.
XVII (Século XVII)Gian Lorenzo Bernini, Pietro da Cortona.
XVIII (Ícones)Coleção de ícones e pinturas bizantinas.
Principais Obras:

Políptico Stefaneschi
de Giotto e ajudantes (1320). É um dos maiores tesouros da Pinacoteca, proveniente da antiga Basílica de São Pedro.

Juízo Final
de Nicolò e Giovanni (século XII). Uma obra de forma circular e base retangular que retrata o Juízo Final em várias faixas sobrepostas.

Histórias de São Nicolau de Bari
de Gentile da Fabriano (1425). Quatro painéis da predela do Políptico Quaratesi, que narram milagres do santo.

Incoroação Marsuppini
de Filippo Lippi (1460). Um tríptico monumental que retrata a coroação da Virgem, com o comitente e sua família como doadores.

Sisto IV nomeia Bartolomeo Platina prefeito da Biblioteca Vaticana
de Melozzo da Forlì (1477). Um afresco histórico que celebra o momento da fundação da Biblioteca Vaticana pelo Papa Sisto IV.

Os Milagres de São Vicente Ferrer
de Ercole de' Roberti (1473). Uma predela que narra, de forma linear e contínua, cinco milagres realizados pelo santo.

Madonna de Foligno
de Raffaello Sanzio (c. 1511). A obra retrata a Virgem em glória com o Menino, cercada por anjos e santos. O comitente aparece ajoelhado, grato pela salvação de sua casa de um raio.

A Transfiguração
de Raffaello Sanzio (1520). A última obra do mestre, que retrata a dupla natureza de Cristo: divina (no alto) e humana (em baixo).

São Jerônimo
de Leonardo da Vinci. Um dos mais famosos quadros inacabados da história da arte, onde o santo é retratido em profunda penitência no deserto.

Pala dos Decemviri
de Perugino (1496). Encomendada para a capela do Palazzo dei Priori, em Perugia, esta é uma das principais obras do artista na Pinacoteca.

A Deposição de Cristo
de Michelangelo Merisi da Caravaggio (1602-1604). Uma das obras-primas absolutas do artista, caracterizada pelo dramático contraste de luz e sombra.

Comunhão de São Jerônimo
de Domenichino (1614). Considerada uma das obras-primas da pintura barroca, é uma tela de grande formato.

Pietà
de Lucas Cranach, o Velho. A obra de Cranach, de origem alemã, é uma representação do lamento sobre o corpo de Cristo.

Visão de Santa Helena
de Paolo Veronese (1580). A pintura retrata o sonho de Santa Helena, que, segundo a tradição, levou à descoberta da Vera Cruz.

A Última Ceia
tapeçaria flamenga inspirada no Cenáculo de Leonardo da Vinci, doada pelo rei Francisco I da França ao Papa Clemente VII.

34 – Escada Helicoidal de Giuseppe Momo (Saída dos Museus Vaticanos)

A escada foi projetada por Giuseppe Momo em 1932 por encomenda do Papa Pio XI (pontífice de 1922 a 1939), logo após a assinatura dos Pactos Lateranenses (1929), que reconheceram a independência do Estado da Cidade do Vaticano. Sua construção foi iniciada em 3 de abril de 1929 e a obra foi concluída e inaugurada em 7 de dezembro de 1932.

Originalmente concebida como o novo acesso independente aos Museus Vaticanos, a escada foi construída no interior dos antigos baluartes das muralhas, escavando um poço no aterro. O arquiteto italiano Giuseppe Momo (1875-1940), engenheiro e arquiteto ativo nos primeiros quarenta anos do século XX, era então o arquiteto da Reverenda Fábrica de São Pedro. O Papa Pio XI interveio pessoalmente no projeto original de Momo, que inicialmente previa uma rampa externa, impondo que a obra fosse realizada internamente. A escada rapidamente se tornou a porta de entrada para as visitas aos Museus e, desde o Jubileu do ano 2000, passou a ser a saída oficial do circuito expositivo.

Mais do que uma simples passagem, a escada é consideradauma obra-prima de engenharia e design do século XX,

Vista aérea da Escadaria em Espiral de Giuseppe Momo na saída dos Museus do Vaticano, com corrimão decorado em bronze e turistas descendo

Museus do Vaticano 20 obras Imperdíveis

1 – “A Criação de Adão” (Capela Sistina) – Afresco pintado por Michelangelo Buonarroti no teto da Capela Sistina, nos Museus do Vaticano, entre 1508 e 1512.

A pintura retrata o momento descrito no livro do Gênesis em que Deus dá vida ao primeiro homem. Na composição, Deus aparece à direita, avançando envolto em um manto e estendendo o dedo indicador. À esquerda, Adão está reclinado, estendendo seu braço e dedo em direção ao Criador. O pequeno espaço entre as pontas dos dois dedos marca o instante da transmissão da vida.

Uma curiosidade observada por pesquisadores e anatomistas é que o formato do manto vermelho e das figuras que envolvem Deus corresponde exatamente à anatomia de um cérebro humano em corte transversal, incluindo detalhes como o tronco cerebral e a artéria vertebral. Como Michelangelo realizava dissecações e estudava anatomia humana, estudiosos sugerem que esse detalhe foi inserido propositalmente para representar a concessão da inteligência e da razão divina ao ser humano, além da vida física.

A Criação de Adão, afresco famoso de Michelangelo no teto da Capela Sistina nos Museus do Vaticano, mostrando Deus e Adão com os dedos se tocando

2 – “O Juízo Final” (Capela Sistina) – Pintado por Michelangelo Buonarroti na parede do altar da Capela Sistina, nos Museus do Vaticano, entre 1536 e 1541. A obra retrata o Segundo Advento de Cristo e o julgamento final das almas, conforme descrito no livro do Apocalipse. No centro da composição, Cristo aparece como uma figura musculosa e sem barba, atuando como juiz, com a Virgem Maria ao seu lado. Ao redor deles estão dispostos santos e mártires segurando os instrumentos de seu martírio. Na parte inferior da pintura, a cena se divide: à esquerda, os salvos ascendem ao céu, enquanto à direita os condenados são empurrados para o inferno por demônios, incluindo figuras da mitologia clássica adaptadas, como Caronte e Minos.

Uma curiosidade sobre a obra é a intervenção que sofreu após o Concílio de Trento. A Igreja considerou a nudez generalizada das figuras inadequada para um espaço sagrado e contratou o pintor Daniele da Volterra para cobrir os genitais com panos e drapeados. Essa intervenção rendeu a ele o apelido de “o fazedor de calças”. Além disso, Michelangelo incluiu um autorretrato na pintura: seu próprio rosto aparece na pele esfolada que é segurada pela mão de São Bartolomeu, no lado direito da composição.

O Juízo Final de Michelangelo na Capela Sistina dos Museus do Vaticano, afresco monumental mostrando Cristo julgando as almas com centenas de figuras
Por Michelangelo – See below., Domínio público, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=16143987

3 – “A Transfiguração” (Pinacoteca) – Pintura a óleo sobre madeira criada por Rafael Sanzio entre 1516 e 1520, atualmente exposta na Pinacoteca dos Museus do Vaticano. A obra foi encomendada pelo cardeal Giulio de’ Medici para a catedral de Narbonne, na França. A composição é dividida em duas partes distintas: na metade superior, Cristo aparece transfigurado no Monte Tabor, flutuando entre as nuvens com vestes brancas e luminosas, acompanhado pelos profetas Moisés e Elias; na metade inferior, os apóstolos Pedro, Tiago e João tentam curar um jovem possesso por demônios, cercados por uma multidão em agitação.

Uma curiosidade sobre esta obra é que ela foi a última pintura de Rafael, que faleceu em 1520 aos 37 anos, possivelmente de febre, enquanto ainda trabalhava na obra. Segundo relatos da época, a pintura ficou exposta no estúdio do artista durante seu velório, posicionada aos pés do caixão. Outra particularidade é que a obra combina dois episódios bíblicos distintos dos Evangelhos em uma única composição, algo incomum para a época, criando um contraste entre o momento divino da transfiguração e a impotência humana diante do sofrimento representado na cena inferior.

Pintura A Transfiguração de Rafael Sanzio, obra-prima renascentista exposta na Pinacoteca dos Museus do Vaticano
By Michal Osmenda from Brussels, Belgium – Transfiguration by Raphael in the Pinacoteca Vaticana of the Vatican Museum, CC BY-SA 2.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=24416235

4 – “Laocoonte e seus Filhos” (Museo Pío Clementino) – Obra em mármore datada entre 40 a.C. e 20 d.C., atribuída aos escultores rodianos Agesandro, Atenodoro e Polidoro. A peça retrata o sacerdote troiano Laocoonte e seus dois filhos sendo atacados por serpentes marinhas, um castigo divino enviado por Atena porque Laocoonte alertou os troianos sobre o cavalo de madeira deixado pelos gregos. A escultura está exposta no Museu Pio-Clementino, nos Museus do Vaticano.

Quando o Grupo de Laocoonte foi desenterrado em Roma em 1506 com o braço direito faltando, o Papa Júlio II promoveu um debate entre grandes artistas sobre como restaurá-lo; Michelangelo defendeu que o braço original deveria ser dobrado para trás para demonstrar o esforço muscular, mas a opinião do pintor Rafael venceu, resultando na instalação de uma versão falsa totalmente esticada para o alto. Essa escolha incorreta permaneceu na escultura até que, em 1906, o arqueólogo Ludwig Pollak descobriu o verdadeiro braço de mármore em um antiquário romano e, na década de 1950, os restauradores removeram a peça reta e reincorporaram o braço dobrado original à estátua nos Museus Vaticanos, comprovando definitivamente que a intuição anatômica de Michelangelo estava correta.

Escultura Laocoonte e Seus Filhos, famosa obra da antiguidade clássica exposta no Museu Pio-Clementino dos Museus do Vaticano
Por Wilfredor – Trabajo propio, CC0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=145566250

5 – “Estátua de Apolo do Belvedere” (Museo Pio Clementino) – O Apolo Belvedere é uma famosa escultura romana em mármore do século II d.C. — cópia de um bronze grego do século IV a.C. atribuído a Leocares — que retrata o deus como um jovem atleta nu em pose de contrapposto, com o peso do corpo apoiado na perna direita, a perna esquerda relaxada, o braço esquerdo estendido segurando um arco e a cabeça voltada para o lado. Redescoberta no final do século XV em Roma, a obra foi adquirida pelo Papa Júlio II no início do século XVI e instalada no pátio do Belvedere nos Museus Vaticanos.

Uma curiosidade sobre a obra é que ela se tornou referência absoluta de beleza clássica durante o Renascimento e o Neoclassicismo. No século XVIII, o historiador da arte Johann Joachim Winckelmann a descreveu como o ideal supremo da arte grega, destacando sua “nobre simplicidade e serena grandeza”. A estátua influenciou profundamente artistas como Michelangelo, Dürer e inúmeros escultores e pintores dos séculos seguintes. Durante o período neoclássico, cópias da obra foram produzidas e disseminadas por toda a Europa, tornando-se um modelo obrigatório de estudo para artistas. Atualmente, a escultura está exposta no Museu Pio-Clementino, nos Museus do Vaticano.

Estátua Apolo Belvedere, famosa escultura clássica de mármore exposta no Museu Pio-Clementino dos Museus do Vaticano

6 – “Escola de Atenas” (Salas de Rafael) – Afresco pintado por Rafael Sanzio entre 1509 e 1511 na Stanza della Segnatura (Sala da Assinatura), nos Museus do Vaticano. A obra retrata os principais filósofos, cientistas e matemáticos da antiguidade grega reunidos em um espaço arquitetônico clássico idealizado. No centro da composição estão Platão, apontando para cima em direção ao céu, e Aristóteles, com a mão estendida para frente em direção à terra, representando suas diferentes correntes filosóficas. Ao redor estão figuras como Sócrates, Pitágoras, Euclides, Ptolomeu, Diógenes e Heráclito.

Uma curiosidade sobre a obra é que Rafael incluiu um autorretrato: ele aparece no canto direito da pintura, usando um gorro preto e olhando diretamente para o espectador. Outra particularidade é que a figura de Heráclito, sentado isoladamente no centro inferior apoiando a cabeça na mão, foi inspirada em Michelangelo e adicionada posteriormente, após Rafael ter visto o trabalho de Michelangelo na Capela Sistina. A arquitetura do cenário foi inspirada nos projetos de Bramante para a Basílica de São Pedro.

Afresco A Escola de Atenas de Rafael na Stanza della Segnatura dos Museus do Vaticano, com Platão e Aristóteles no centro cercados por filósofos gregos

7 – “Madonna de Foligno” (Pinacoteca) – Pintado por Rafael Sanzio entre 1511 e 1512, encomendado por Sigismondo de’ Conti, secretário do Papa Júlio II, como um ex-voto em profunda gratidão por sua residência em Foligno ter sobrevivido milagrosamente à queda de um raio ou meteorito. Atualmente exposta na Pinacoteca dos Museus Vaticanos, a consagrada obra divide-se perfeitamente em dois registros: no plano celestial superior, a Virgem Maria aparece sentada sobre nuvens densas segurando o Menino Jesus diante de uma intensa mandorla dourada; enquanto no plano terreno inferior distribuem-se São João Batista apontando para o alto, São Francisco de Assis em êxtase, e São Jerônimo apresentando o próprio doador ajoelhado em prece. No centro exato desse cenário terrestre, um pequeno querubim em pé funciona como elo entre os mundos ao segurar uma famosa tabuleta completamente em branco, cujo texto planejado da dedicação jamais chegou a ser escrito pelo pintor renascentista.

A Madonna di Foligno foi encomendada originalmente para adornar o altar-mor da igreja de Santa Maria in Aracoeli, em Roma, mas, em 1565, a freira Anna Conti — sobrinha e descendente do doador Sigismondo — conseguiu transferir a valiosa obra para a igreja de Sant’Anna no mosteiro das Clarissas (Contesse), na cidade de Foligno, o que acabou batizando o quadro historicamente. O retábulo permaneceu na localidade da Umbria por mais de dois séculos até que, em 1797, foi confiscado pelo Tratado de Tolentino pelas tropas napoleônicas e levado a Paris, onde os restauradores franceses realizaram uma complexa transferência da película de tinta da madeira original para uma tela; com a queda de Napoleão, a obra retornou em definitivo aos Estados Pontifícios em 1815, sendo integrada à Pinacoteca dos Museus Vaticanos.

Pintura Madonna di Foligno de Rafael Sanzio exposta na Pinacoteca dos Museus do Vaticano, mostrando a Virgem Maria com o Menino Jesus e santos
Raphael, Public domain, via Wikimedia Commons

8 – “Estátua de Hermes” (Museo Pio Clementino) – é uma escultura romana em mármore do século II d.C., esculpida como uma cópia de um bronze grego mais antigo, atribuído ao estilo do famoso escultor Praxíteles. A obra retrata o deus Hermes como um jovem atleta de beleza idealizada, apresentando uma expressão serena e um manto de viagem jogado sobre o ombro esquerdo. Quando foi descoberta em Roma por volta de 1540, a estátua foi confundida com Antínoo (o jovem favorito do imperador Adriano), um equívoco que durou séculos até os especialistas confirmarem sua verdadeira identidade como o deus mensageiro.

Uma curiosidade fascinante sobre essa estátua é que ela foi usada como o “molde de anatomia perfeito” para ensinar os médicos do século XIX. Por ter proporções físicas consideradas absolutamente impecáveis, o famoso cirurgião britânico John Bell recomendava que os estudantes de medicina usassem o Hermes do Belvedere — e não corpos reais — para aprenderem a desenhar e memorizar a posição exata de cada músculo do peito e do abdômen humano.

Estátua Hermes de Andros, escultura clássica de mármore com cachos detalhados, exposta no Museu Pio-Clementino dos Museus do Vaticano
Di Marie-Lan Nguyen (2009), CC BY 3.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=8991543

9 – “Tapetes de Rafael” na Galeria das Tapeçarias – A coleção desenhada diretamente por Rafael Sanzio — a série Atos dos Apóstolos — fica protegida em uma sala climatizada especial dentro da Pinacoteca Vaticana. O que você vê pendurado ao longo da famosa Galeria das Tapeçarias (Galleria degli Arazzi) são peças baseadas na Vida de Cristo, tecidas anos mais tarde por alunos e discípulos da oficina de Rafael.

Na Galeria das Tapeçarias, há um efeito visual incrível chamado “perspectiva em movimento”. Na tapeçaria da Ressurreição de Cristo (feita pelos alunos de Rafael), os olhos de Jesus e a pedra do túmulo parecem seguir e mudar de posição conforme você caminha pelo corredor.

Tapeçaria de Rafael retratando a cura do paralítico por São Pedro, baseada em desenho de Rafael Sanzio, acervo dos Museus do Vaticano
Di see filename or category – www.wga.hu, Pubblico dominio, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=14619742

10 – “Escultura do Nilo” (Braccio Nuovo) – Obra em mármore do século II d.C., sendo uma cópia romana de um original grego em basalto negro do período helenístico. A obra retrata o rio Nilo personificado como um senhor idoso e musculoso deitado de lado, caracterizado por sua longa barba e por estar cercado de elementos que simbolizam o Egito, como uma esfinge e uma cornucópia cheia de frutos. A escultura foi redescoberta em 1513 no centro de Roma, onde decorava um antigo templo romano.

Uma curiosidade sobre a obra é que a estátua é acompanhada por 16 crianças pequenas esculpidas escalando o corpo do gigante, que funcionavam como um medidor real da economia da época. Cada uma dessas crianças representava um “codo” (uma medida antiga de cerca de 50 centímetros), indicando a altura exata que o nível da água do rio Nilo precisava subir durante a temporada de cheias para inundar as margens e garantir a fertilidade e a fartura de alimentos para o povo egípcio.

Escultura do Nilo, estátua de mármore representando o deus-rio Nilo no Braccio Nuovo dos Museus do Vaticano
By Ismoon (talk) 20:26, 13 April 2024 (UTC) – own work from File:The Nile, inv. 2300 – Braccio Nuovo, Museo Chiaramonti – Vatican Museums – DSC00913.jpg, better colors and cropped image, CC BY-SA 4.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=147349109

11 – ”Pavão” – Escultura romana do século II d.C., sendo uma das duas peças idênticas criadas originalmente para decorar o monumental Mausoléu do Imperador Adriano (hoje conhecido como Castel Sant’Angelo). A obra retrata a ave com um impressionante realismo e riqueza de detalhes em sua plumagem, simbolizando a imortalidade e a ressurreição na cultura clássica e paleocristã. Após passar séculos adornando um chafariz no átrio da antiga Basílica de São Pedro durante a Idade Média, a escultura foi transferida para o Vaticano.

Uma curiosidade sobre a obra é que os dois pavões que os turistas fotografam na enorme parede do famoso Pátio da Pinha (Cortile della Pigna) são, na verdade, cópias modernas de metal. Os originais em bronze dourado precisaram ser retirados ao ar livre e guardados dentro do museu na década de 1608 para evitar que a poluição, a chuva e o tempo destruíssem permanentemente os delicados detalhes de suas penas de mármore e metal.

Grande pinha de bronze da Roma Antiga flanqueada por pavões no Cortile della Pigna dos Museus do Vaticano

12 – ”Ânfora” (Museo Etrusco) – A Ânfora Ática de Figuras Negras, assinada pelo célebre artista grego Execias, é uma obra-prima em terracota datada de cerca de 530 a.C.. Embora tenha sido fabricada em Atenas, a peça foi descoberta em escavações arqueológicas na região da Etrúria, pois os antigos etruscos eram grandes importadores de artigos de luxo da Grécia. A pintura principal retrata com extremo detalhe e técnica de gravação minuciosa os heróis Aquiles e Ajax sentados, vestindo suas armaduras de guerra enquanto jogam dados em um momento de pausa nos combates. Atualmente, esta peça de valor inestimável é considerada um dos maiores tesouros da cerâmica antiga e está exposta na Sala XIX do Museu Gregoriano Etrusco.

Uma curiosidade fascinante sobre essa obra é que ela traz inscrições em grego antigo posicionadas estrategicamente na frente do rosto de cada guerreiro para registrar o andamento da partida; o artista pintou a palavra tetara (quatro) saindo da direção da boca de Aquiles e a palavra tria (três) na direção da boca de Ajax, um recurso visual que permitia ao espectador antigo decifrar o placar exato e compreender que Aquiles estava ganhando o jogo de dados.

Ânfora etrusca do Grupo La Tolfa com decoração de figuras negras, acervo do Museu Gregoriano Etrusco dos Museus do Vaticano
imagem: museivaticani.va

13 – “Sarcófago de Santa Helena” (Museu Pio Clementino) – Monumental caixão esculpido em pórfiro vermelho datado do século IV d.C. (por volta de 340 d.C.), criado originalmente para abrigar os restos mortais da imperatriz que foi mãe de Constantino, o Grande. A peça é feita de uma rocha extremamente rara e preciosa, cuja cor avermelhada era de uso exclusivo da família imperial romana. O corpo principal do sarcófago exibe relevos detalhados com cenas militares de cavaleiros romanos vitoriosos dominando prisioneiros bárbaros, enquanto a tampa é decorada com figuras de cupidos e leões esculpidos. Transferida de seu mausoléu original na Via Labicana durante o século XVIII, esta obra-prima da arte funerária tardo-romana está hoje em permanente exibição na Sala da Cruz Grega, no Museu Pio-Clementino.

Sarcófago de Santa Helena em pórfiro vermelho com relevos de cenas militares, período romano, acervo dos Museus do Vaticano
By Jean-Pol GRANDMONT – Own work, CC BY-SA 3.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=18549198

14 – ”Os mosaicos das Termas de Caracalla” (Museo Gregoriano Profano) – São um conjunto de painéis romanos em mármore colorido do século III d.C. (por volta de 216 d.C.), criados originalmente para pavimentar o chão das duas grandes bibliotecas públicas que ficavam dentro do complexo de banhos do Imperador Caracalla. A obra é dividida em seções geométricas que retratam figuras de corpo inteiro e bustos de atletas profissionais da época, como lutadores e boxeadores, além de juízes vestidos com togas clássicas. Descobertos em excelente estado de conservação durante escavações arqueológicas em 1824, os painéis foram restaurados e levados para o Vaticano.

Uma curiosidade sobre a obra é que os atletas são retratados de forma realista e individualizada, alguns até com os próprios nomes escritos, exibindo um detalhe estético muito específico da elite esportiva romana: o penteado conhecido como cirrus. Esse penteado consistia em raspar quase toda a cabeça e deixar apenas um nó ou mecha longa de cabelo amarrada na altura da nuca, o que funcionava no Império Romano como um verdadeiro “crachá visual” obrigatório para identificar que aquele homem era um atleta profissional legalizado e não um cidadão comum praticando esportes por lazer.

Mosaico romano antigo das Termas de Caracalla com figuras de atletas e personagens, acervo dos Museus do Vaticano
imagem: museivaticani.va

15 – “Niobide Chiaramonti” (Museo Gregoriano Profano) – Escultura romana em mármore da época do imperador Adriano (século II d.C.) — cópia de um famoso ciclo de estátuas do período helenístico atribuído a mestres como Escopas ou Praxíteles — que retrata uma das filhas de Níobe correndo desesperadamente para tentar escapar das flechas mortais dos deuses Apolo e Artemise. A obra foca no movimento, revelando uma rica técnica de chiaroscuro no panejamento de suas vestes que se agitam contra o vento devido à fuga. Descoberta em meados do século XVI nas escavações da Villa Adriana em Tivoli, a escultura sem cabeça e sem braços pertenceu por muito tempo ao Museu Chiaramonti antes de ser transferida para a sua localização atual no Museu Gregoriano Profano.

Uma curiosidade sobre a obra é que o nome “Chiaramonti” batizou uma categoria inteira de réplicas na história da arte, embora a estátua não esteja mais nessa ala do museu. A escultura ilustra o mito grego em que a rainha Níobe cometeu o erro de zombar da deusa Leto por ter apenas dois filhos (Apolo e Artemise), enquanto ela tinha catorze; como punição pelo orgulho desmedido, os deuses gêmeos caçaram e mataram todos os filhos da rainha a flechadas, transformando a figura dessa jovem fugitiva em um dos símbolos mais famosos de desespero e desgraça familiar da mitologia clássica.

Sala do Museo Gregoriano Profano com escultura de Nike/Vitória e bustos romanos, arquitetura com paredes de tijolos e janelas circulares, Vaticano
By Fabrizio Garrisi – Own work, CC BY-SA 4.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=129088506

16 – “São Jerônimo no Deserto” (Pinacoteca) – Pintura a óleo e têmpera sobre madeira criada por Leonardo da Vinci por volta de 1481 ou 1482, sendo a única obra do mestre renascentista preservada nas coleções papais. O quadro retrata o santo eremita em uma pose de penitência na entrada de uma caverna escura, segurando uma pedra com a mão direita para golpear o próprio peito enquanto o seu fiel leão está deitado aos seus pés. Embora tenha ficado inacabada devido à partida repentina de Leonardo para Milão, a pintura surpreende pelo domínio absoluto da anatomia humana e do jogo de luz e sombra, estando hoje em permanente exibição na Sala IX da Pinacoteca.

Uma curiosidade sobre a obra é que ela foi literalmente fatiada e usada como móvel antes de ser salva por acaso. Após a morte de Leonardo, a madeira foi cortada em cinco pedaços e acabou desaparecendo, até que o cardeal Joseph Fesch (tio de Napoleão Bonaparte) encontrou a parte principal que mostrava o corpo do santo servindo de tampo de mesa em um brechó de Roma por volta do século XIX; tempos depois, ele localizou o pedaço que continha a cabeça sendo usado como assento no banco de um sapateiro. Reunidos os fragmentos como um quebra-cabeça, a pintura passou por uma cuidadosa restauração e foi comprada pelo Papa Pio IX para os museus.

São Jerônimo no Deserto, pintura inacabada de Leonardo da Vinci na Pinacoteca dos Museus do Vaticano, mostrando o santo com um leão
Von Gleb Simonov – Eigenes Werk, CC0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=167253465

17 – “Retrato de Júlio César” (Museo Gregoriano Profano) – Cabeça em mármore de Carrara criada entre os anos 30 e 20 a.C., sendo considerada uma das poucas réplicas fiéis que reproduzem a fisonomia real e final do grande general, político e ditador romano. A escultura apresenta as feições de um homem em idade avançada, com um olhar severo e focado, rugas marcantes e uma calvície aparente na parte frontal. Vendida ao Vaticano pelo escultor Vincenzo Pacetti em 1804 e restaurada em 1823, a peça foi exibida por muitas décadas no Museu Chiaramonti antes de ser transferida para o seu local definitivo na seção 4 do Museu Gregoriano Profano.

Uma curiosidade sobre a obra é que ela foi esculpida logo após o assassinato de Júlio César nos Idos de Março de 44 a.C.. Diferente das imagens políticas ideais criadas anos mais tarde para agradar os imperadores, este retrato romano usou o estilo realista tradicional para destacar de forma honesta o envelhecimento do líder, utilizando as linhas de expressão de seu rosto para simbolizar sua sabedoria, autoridade e experiência militar. Juntamente com uma peça gêmea preservada na cidade de Pisa, este busto serve hoje como o principal molde histórico para os cientistas modernos que tentam reconstruir em 3D o rosto exato do homem que mudou o rumo de Roma.

Busto de mármore da Roma Antiga exposto nos Museus do Vaticano - escultura clássica de retrato romano
Musei Vaticani (Stato Città del Vaticano), Public domain, via Wikimedia Commons

18 – “Marte di Todi” (Museo Etrusco) – Raríssima escultura em bronze datada do final do século V a.C. ou início do século IV a.C., sendo um dos pouquíssimos exemplos sobreviventes da grande estatuária antiga em metal. A obra retrata um guerreiro vestido com uma couraça militar detalhada que, em uma pose, apoiava-se originalmente em uma lança de ferro enquanto realizava uma oferenda religiosa antes de partir para a batalha. Encontrada enterrada sob placas de pedra na cidade de Todi em 1835, a estátua foi produzida na região da Etrúria (provavelmente em Orvieto) e hoje está exposta na Sala III (Sala dos Bronzes) do Museu Gregoriano Etrusco.

Uma curiosidade sobre a obra é que ela traz uma inscrição gravada em sua cintura que revela o nome do comprador original da estátua, escrita no idioma dos antigos umbros mas utilizando o alfabeto dos etruscos. As palavras gravadas dizem ahal trutitis dunum dede, que significa “Ahal Trutitis deu como presente”, indicando que a escultura foi encomendada por um homem rico (provavelmente um nobre de origem celta) para servir como um agradecimento sagrado aos deuses. Outro detalhe impressionante é que, embora ela tenha sido apelidada de “Marte” (o deus romano da guerra), os historiadores acreditam que ela represente apenas um soldado humano comum ou o deus guerreiro etrusco chamado Laran.

Estátua de bronze etrusca ou romana retratando figura em armadura militar com braços erguidos, acervo dos Museus do Vaticano
Por Jean-Pol GRANDMONT – Trabajo propio, CC BY-SA 3.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=63830337

19 – “Deposição de Cristo” (Pinacoteca) – Pintura a óleo sobre tela criada pelo mestre barroco Caravaggio entre 1602 e 1604, sendo a única obra do artista preservada no acervo papal. O quadro retrata com extremo realismo o momento exato em que o corpo sem vida de Jesus é carregado por João Evangelista e Nicodemos para ser colocado sobre a Pedra da Unção, cercado pelo luto da Virgem Maria, de Mary Magdalene e de Maria de Cleofas. Encomendada originalmente para uma capela na Chiesa Nuova em Roma, a pintura destaca-se pelo uso revolucionário do chiaroscuro — um forte contraste entre fundos escuros e luzes intensas que iluminam a anatomia humana.

Uma curiosidade sobre a obra é que Caravaggio usou a posição do braço caído de Jesus para fazer uma homenagem secreta à escultura Pietà de Michelangelo. Ao pintar o braço direito de Cristo totalmente relaxado, apontando em linha reta para baixo em direção à pedra de mármore, o pintor copiou exatamente o mesmo contorno anatômico criado por seu rival na famosa estátua de mármore da Basílica de São Pedro. Esse gesto duplo carregava um significado teológico para a época: ao apontar para a grande pedra angular projetada em diagonal para fora da tela, o braço caído de Jesus indicava visualmente que o sacrifício de seu corpo físico era a base real sobre a qual a própria Igreja Católica estava construída.

Pintura A Deposição de Cristo de Caravaggio, obra-prima barroca exposta na Pinacoteca dos Museus do Vaticano
Di Caravaggio – Scansione personale, Pubblico dominio, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=15219536

20 – “Sisto IV Nomeia Bartolomeo Platina Prefeito da Biblioteca Vaticana” (Pinacoteca) – Obra-prima criada pelo pintor renascentista Melozzo da Forlì em 1477. A pintura retrata o momento histórico em que o Papa Sisto IV institui oficialmente o humanista Bartolomeo Platina como o primeiro diretor da biblioteca papal. Os personagens, retratados com traços físicos muito reais, aparecem inseridos em um grandioso cenário de colunas e arcos clássicos que demonstra um domínio perfeito da perspectiva. Embora tenha sido pintada originalmente nas paredes da própria biblioteca antiga, a obra foi posteriormente removida do muro, transferida para uma tela e hoje está em permanente exibição na Sala IV da Pinacoteca.

Uma curiosidade sobre a obra é que ela funciona como um verdadeiro “retrato de família” político repleto de futuros líderes da Igreja, servindo para exibir o poder e o nepotismo da dinastia papal. No centro da pintura, posicionado bem à frente do Papa, está o cardeal Giuliano della Rovere. Ele era um dos sobrinhos favoritos de Sisto IV e, anos mais tarde, viria a se tornar o famoso Papa Júlio II — o mesmo pontífice guerreiro que contrataria Michelangelo para pintar o teto da Capela Sistina e que fundaria a coleção de estátuas clássicas do Vaticano. Ao mesmo tempo, o homem ajoelhado aponta para um texto em latim no chão, escrito por ele mesmo, que elogia as obras públicas do Papa para garantir que qualquer visitante soubesse quem financiava aquele local.

Afresco de Melozzo da Forlì mostrando Papa Sisto IV nomeando Bartolomeo Platina como prefeito da Biblioteca Vaticana, com figuras em trajes renascentistas em cenário arquitetônico
By Sailko – Own work, CC BY-SA 3.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=30462788

Informações Úteis

Endereço: 00120 Vatican City, Cidade do Vaticano

Coordenadas Geográficas: 41.90670437100922, 12.453533635299113

Horário de Funcionamento: CLIQUE AQUI

Duração da Visita: Aproximadamente 3 horas

Código de Vestimenta:

É necessário cobrir os ombros e os joelhos. Isso significa que roupas como camisetas sem mangas, tops decotados, shorts curtos, minissaias e roupas transparentes não são permitidas.

Guarda-Volumes: Sim

Visita Guiada: opcional

Restrição:

É proibido fumar

É proibido tocar nas obras de artes

É proibido comer e beber

Animais não são permitidos apenas cão guia

É proibido fotografar na Capela Sistina e deve-se manter o silêncio absoluto

Ingressos: COMPRE AQUI – Museus do Vaticano Site Oficial

Dicas:

  • Meses de Alta Temporada: Abril a Outubro
  • Meses de Temporada Moderada: Março e Novembro
  • Meses de Baixa Temporada: Dezembro a Fevereiro
  • Dias da Semana com Menos Fluxo de Pessoas: Segunda, Quinta e Sexta
  • Dias da Semana com Fluxo de Pessoas Muito Alto: Sábado
  • Dias da Semana com Fluxo de Pessoas Considerável: Terça e Quarta
  • Você pode comprar o ingresso na própria bilheteria do museu
  • Ao comprar o bilhete para os Museus do Vaticano pelo site oficial, você pode evitar as longas filas que se formam para a compra de ingressos no local. Os ingressos comprados online têm uma data e horário específicos para a entrada, o que permite aos visitantes entrar nos museus diretamente, passando pela fila geral de não-reservados. Isso significa que, ao chegar, você irá para uma entrada designada para aqueles com reservas online, que costuma ter uma espera muito menor em comparação com a fila de compra de ingressos no dia.
  • Os Museus do Vaticano oferecem entrada gratuita no último domingo do mês.
  • As filas podem ser bastante longas, na alta temporada, com esperas que variam até 3 horas na alta temporada, já nos meses de baixa temporada as filas são geralmente mais curtas, e você pode esperar menos tempo, às vezes menos de 30 minutos.
  • Durante certas épocas do ano, os Museus do Vaticano abrem à noite, oferecendo uma experiência única de visitação.

Perguntas Frequentes (FAQ)

1. Quanto tempo dura uma visita aos Museus do Vaticano?
A visita pode durar entre 3 a 5 horas, dependendo do seu interesse e ritmo. Algumas pessoas preferem explorar as galerias principais em detalhes, já outras visitam apenas as obras mais famosas, como a Capela Sistina.

2. Como evitar filas nos Museus do Vaticano?
A melhor maneira de evitar filas é comprar ingressos online com antecedência. Outra dica é visitar os museus nas primeiras horas da manhã ou durante os meses de baixa temporada, como de novembro a fevereiro.

3. Qual é o código de vestimenta para visitar o Vaticano?
Roupas que cubram os ombros e joelhos são obrigatórias para entrar nas áreas religiosas, como a Capela Sistina. Evite camisetas sem mangas, shorts curtos e minissaias.

4. Quais são os horários de funcionamento dos Museus do Vaticano?
Os Museus do Vaticano estão abertos de segunda a sábado, das 9h às 18h. A última entrada ocorre às 16h. O museu fecha no último domingo de cada mês, exceto em dias de entrada gratuita.

5. Os Museus do Vaticano têm entrada gratuita?
Sim, os museus oferecem entrada gratuita no último domingo de cada mês. As filas costumam ser extremamente longas nesses dias. É recomendável chegar cedo para garantir entrada.

6. É permitido fotografar dentro dos Museus do Vaticano?
Fotografias são permitidas na maioria das áreas dos museus, exceto na Capela Sistina, onde é proibido tirar fotos ou gravar vídeos.

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