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Rota das Esculturas na Ponte Carlos em Praga

A Rota das Esculturas na Ponte Carlos em Praga atravessa um dos monumentos históricos que fazem parte do Centro Histórico de Praga — Patrimônio Mundial da UNESCO.

Rota das Esculturas na Ponte Carlos em Praga: O que existia antes da Ponte Carlos?

Antes da famosa Ponte Carlos em Praga (Karlův most), a principal travessia do rio Moldava era feita pela Juditin most, construída entre 1160 e 1172 por ordem do rei Vladislav II., nomeada em homenagem à sua esposa Judita. Essa ponte, feita em pedra, possuía cerca de 27 arcos e era considerada uma das mais impressionantes obras de engenharia românica na Europa Central. Ela resistiu por quase dois séculos, mas foi gravemente danificada e depois destruída por uma combinação de gelo e inundações extremas em fevereiro de 1342. Com a perda da Juditin most, durante alguns anos usou-se uma ponte provisória de madeira até que o rei Karel IV. decidiu erguer uma nova ponte de pedra, que fosse não apenas funcional, mas também digna do crescente prestígio de Praga como importante centro de comércial europeu. Essa nova ponte viria a se tornar a atual Ponte Carlos.

Construção da Ponte Carlos

A construção da Karlův most (Ponte Carlos) teve início em 9 de julho de 1357, com a escolha simbólica desse dia e horário — 5:31 da manhã — baseada em um palíndromo numerológico, considerado auspicioso pelos astrólogos da corte e destinado a proteger e dar sorte ao novo monumento. O próprio Karel IV. teria lançado a pedra fundamental. No início, o projeto foi conduzido por mistr Otto, e mais tarde completado pelo renomado arquiteto Petr Parléř, também conhecido pelos trabalhos na Catedral de São Vito. A obra utilizou blocos de arenito, técnicas inovadoras para a época e uma série de proteções contra cheias, para aumentar a robustez da ponte. Foram necessários muitos anos e esforços (de 1357 até 1402), mas a ponte logo se tornou eixo fundamental para a cidade, conectando a Cidade Velha (Staré Město) à Cidade Pequena (Malá Strana) e ajudando Praga a florescer comercial e culturalmente.

Resistência da Ponte Carlos

Ao longo dos séculos, a Karlův most sobreviveu a inundações (como em 1432, quando perdeu vários pilares), guerras, reformas e transformações urbanas. Durante a célebre Guerra dos Trinta Anos, foi palco de batalhas entre tropas tchecas e suecas que tentavam o controle de Praga. Com o tempo, a ponte passou a ser chamada por muitos dialetos locais apenas de Kamenný most (ponte de pedra) ou Pražský most (ponte de Praga), e isso persistiu até o século XIX, quando o nome Karlův most se firmou oficialmente.

Rota das Esculturas na Ponte Carlos em Praga: guia completo

Nas extremidades da Karlův most, encontram-se torres medievais importantes como a Staroměstská mostecká věž (Torre da Cidade Velha) e as torres de Malá Strana, que além de servirem como defesa, eram verdadeiros portais da cidade e símbolos do poder real. A partir do final do século XVII até o início do século XVIII, a ponte foi decorada com uma série de 30 esculturas barrocas de santos, mártires e figuras históricas, criando uma galeria ao ar livre reconhecida como um dos maiores acervos de arte barroca em espaços públicos da Europa.

Santo Ivo

Foi esculpida por Matthias Bernard Braun em 1711, sendo uma das obras barrocas mais antigas e importantes presentes na ponte.

Em tcheco, ela é chamada Sousoší sv. Iva ou simplesmente Svatý Ivo. O grupo escultórico representa São Ivo, padroeiro dos advogados e protetor dos pobres, vestido como juiz medieval. Junto a ele há figuras de uma viúva, um idoso e uma criança, todos representando pessoas necessitadas de justiça; atrás dele está a figura simbólica da Justiça (Justitia), cega, segurando balança e espada.

Escultura da Madona com São Bernardo

Obra barroca criada por Matěj Václav Jäckel em 1709, sob encomenda do abade cisterciense Benedikt Littwerig. O conjunto retrata a Virgem Maria segurando o Menino Jesus em seus braços, enquanto São Bernardo de Claraval — uma das figuras mais influentes do monasticismo medieval — aparece ajoelhado diante dela vestido com o hábito da ordem cisterciense. Um anjo ao seu lado segura a mitra abacial, símbolo da autoridade de Bernardo, reforçando sua posição e relevância dentro da Igreja.

Faixas junto à boca de São Bernardo e da Virgem Maria originalmente mostravam um diálogo: Bernardo dizia “Ave Maria”, e a Madona respondia “Salve Bernarde” (“Salve, Bernardo”).

O original foi transferido para proteção e o que está na ponte atualmente é uma cópia em arenito.

Santa Bárbara com Santa Margarida e Santa Isabel

Representa três santas muito veneradas na tradição cristã europeia e especialmente tcheca. Santa Bárbara, padroeira dos mineiros, aparece ao centro, ladeada por Santa Margarida, reconhecida pela resistência contra o dragão (símbolo do mal) e por Santa Isabel da Hungria, exemplo de caridade e dedicação aos pobres.

Virgem Maria com São Domingos e São Tomás de Aquino

Foi criado em 1708 por Matěj Václav Jäckel. Ele mostra a Virgem Maria com o Menino Jesus ao centro, entregando o rosário a São Domingos, enquanto São Tomás de Aquino aparece ajoelhado com um livro.

Pietà

Representando a Virgem Maria com o corpo de Cristo após a crucifixão. Foi criado em 1859 pelo escultor Emanuel Max, em arenito, sobre um pedestal baixo, e substituiu um conjunto anterior de Pietà barroca de Jan Brokoff do fim do século XVII.

Crucifixo e Calvário

Um dos grupos mais antigos, ele mostra Jesus crucificado, ladeado pela Virgem Maria e por São João Evangelista. O crucifixo em bronze atual foi instalado em 1657, e as estátuas laterais foram acrescentadas em 1861 pelo escultor Emanuel Max, dando ao grupo o aspecto que se vê hoje. Acima da cruz, destaca-se a inscrição em hebraico com a frase “Santo, Santo, Santo é o Senhor dos Exércitos”, incluída em 1696.

São José

Criada em 1854 pelo escultor Josef (Emanuel) Max para substituir uma obra barroca anterior de Jan Brokoff, danificada nos combates de 1848. Ela mostra São José caminhando e guiando o Menino Jesus.

Santa Ana

Criada em 1707 pelo escultor Matěj Václav Jäckel por encomenda do conde Rudolf Josef de Lisov. Ela mostra Santa Ana segurando o Menino Jesus ao lado do corpo, enquanto uma pequena Virgem Maria está de pé aos seus pés e é abraçada por ela.

São Francisco Xavier

Ele foi criado em 1711 pelo jovem escultor Ferdinand Maxmilián Brokoff, então com cerca de 23 anos, e o original hoje está preservado no Lapidário do Museu Nacional, enquanto uma cópia de 1913 permanece na ponte.

A composição mostra o missionário jesuíta em posição elevada, segurando a cruz, rodeado por figuras que representam povos “exóticos” que ele teria evangelizado na Ásia — como um chinês, um tártaro, um etíope e um indiano — simbolizando a expansão global do cristianismo e o caráter missionário da Companhia de Jesus.

Santos Cirilo e Metódio

Ele foi esculpido em arenito pelo artista Karel Dvořák entre 1928 e 1938 e instalado em 1938 no lugar de um antigo grupo dedicado a Santo Inácio de Loyola, destruído na cheia de 1890. A composição mostra os dois irmãos missionários como pregadores entre o povo eslavo: Cirilo aparece de pé, com a mão erguida em gesto de bênção, enquanto Metódio segura nas mãos, sobre um grande livro, o modelo de uma igreja em forma de rotunda, simbolizando a organização da vida cristã e litúrgica entre os eslavos.

A escultura lembra a atuação histórica dos santos, que no século IX levaram o cristianismo à Grande Morávia e criaram o alfabeto eslavo para traduzir os textos litúrgicos, motivo pelo qual são venerados como apóstolos dos eslavos e patronos de vários países da região.

São Cristóvão

Criada em 1857 pelo escultor Emanuel Max e financiada pelo então prefeito de Praga, Václav Wanka. A obra mostra o santo em tamanho maior que o natural, caminhando pela água com o Menino Jesus sentado em seu ombro esquerdo e apoiando-se numa grande vara torcida, representando a famosa lenda em que Cristóvão ajuda viajantes a atravessar um rio perigoso.

São João Batista

Criada em 1855 pelo escultor Josef Calasanza Max, financiada por Jan Norbert Gemerich de Neuberk. Ela substituiu um grupo barroco anterior de 1706 que representava o batismo de Cristo. A escultura mostra João Batista vestido apenas com uma pele de camelo e um manto, segurando sob o braço esquerdo uma longa cruz de ferro com uma faixa no topo e uma concha ao lado, símbolos diretos do batismo de Cristo no rio Jordão.

Francisco de Borja

Esculpido em arenito por Ferdinand Maxmilián Brokoff por volta de 1709–1710, a pedido do nobre František z Colletu. No centro está o santo jesuíta, terceiro superior-geral da Companhia de Jesus, flanqueado por dois anjos jovens: um segura um quadro com a imagem da Virgem Maria e o outro a óstia em ostensório, símbolos da forte devoção mariana e eucarística de Francisco de Borja.

São Norberto com São Venceslau e São Sigismundo

Esculpido em arenito por Josef Calasanza Max em 1853, por encomenda do abade premonstratense Jeroným Zeidler, do mosteiro de Strahov. As três figuras aparecem sobre um pedestal neogótico: ao centro, São Norberto, fundador da ordem dos premonstratenses e um dos patronos das terras tchecas, está em posição de destaque, em trajes episcopais, erguendo uma custódia/monstrança, símbolo de sua devoção e do papel litúrgico da ordem. À direita está São Venceslau, príncipe e mártir, patrono nacional da Boêmia, mostrado como um nobre guerreiro com estandarte; à esquerda, São Sigismundo, rei da Borgonha e também patrono da nação, é representado com coroa e espada, como “combatente” do reino de Cristo

Santa Ludmila

Criada em torno de 1720–1730 pelo escultor barroco Matyáš Bernard Braun. Ela mostra Ludmila sentada com o neto, o jovem São Venceslau, que segura um livro (a Bíblia) enquanto aprende a ler, ambos com coroas que indicam sua origem principesca. A estátua originalmente ficava na rampa do Castelo de Praga e foi transferida para a ponte em 1784, após uma cheia destruir a antiga escultura de São Venceslau; hoje o que se vê na ponte é uma cópia de 1999, enquanto o original está protegido em coleção museológica.

São João Nepomuceno

Rota das Esculturas na Ponte Carlos em Praga: imagem da estátua barroca de São João Nepomuceno, com o santo segurando a cruz e as palmas do martírio.

Entre as obras mais notáveis estão as peças de escultores renomados do período barroco tcheco, como Matyáš Bernard Braun, Jan Brokoff e seu filho Ferdinand Maxmilián Brokoff. A primeira estátua a ser instalada foi a de São João Nepomuceno, erguida em 1683 para marcar o local onde o santo teria sido jogado no rio Moldava. Essa escultura se tornou símbolo da ponte e um dos pontos mais visitados, acredita-se que tocar no relevo dourado na base da estátua traz boa sorte e garante seu retorno a Praga. Além disso, a tradição diz que fazer um pedido ao santo o torna realidade.

Francisco Serafim

Rota das Esculturas na Ponte Carlos em Praga: estátua de arenito (1855) de São Francisco Seráfico (Emanuel Max), um dono do conde Kolowrat para agradecer o livramento do Imperador Franz Joseph I num atentado em Viena (1853). Substitui obra barroca de František Preiss (1708), hoje na Igreja de São José.

O conjunto atual foi esculpido em 1855 por Emanuel Max, substituindo um grupo barroco anterior de 1708 de František Preiss. No centro está São Francisco em hábito simples de frade, com cordão de três nós na cintura e os estigmas visíveis, enquanto dois anjos o acompanham lateralmente; um segura um medalhão/inscrição de agradecimento pela salvação milagrosa do imperador Francisco José I em 1853.

Santo Antônio de Pádua

Rota das Esculturas na Ponte Carlos em Praga: estátua barroca de arenito (1707) de Santo Antônio de Pádua, o santo casamenteiro, padroeiro dos pobres e pregador, que os fiéis procuram para recuperar objetos perdidos. A obra, de Jan Oldřich Mayer, retrata o frade franciscano em seu hábito marrom esculpindo o Menino Jesus sobre um livro e, originalmente, um lírio (símbolo de pureza), que foi perdido.

Criada em 1707 pelo escultor Jan Oldřich Mayer como sua primeira obra em pedra para a ponte. Ela mostra Santo Antônio como um jovem frade franciscano, em hábito com cordão na cintura, segurando o Menino Jesus sobre um livro, enquanto na outra mão (originalmente) havia um lírio dourado, símbolo de pureza. Nas laterais da estátua ficava uma dupla de grandes vasos com cenas de milagres atribuídos ao santo.

São Vicente Ferrer com São Procópio

Rota das Esculturas na Ponte Carlos em Praga: a impressionante estátua dupla que representa o santo padroeiro dos construtores (São Vicente) a fazer um milagre, e o santo padroeiro da Boêmia (São Procópio) a pisar o demónio. O escultor Brokoff, de ascendência alemã, combinou num único monólito de pedra arenito as histórias de dois santos que lutaram contra o mal.

Criado em 1712 pelo escultor barroco Ferdinand Maxmilián Brokoff, financiado pelo conde Romedius Josef František Thun. No alto, à esquerda, está São Vicente Ferrer, em hábito dominicano, com a mão erguida em gesto de bênção enquanto expulsa o demônio de um homem possesso ajoelhado e, ao mesmo tempo, passa sobre um esqueleto que se ergue de um caixão, aludindo aos seus milagres de exorcismo e ressurreição. Do lado direito, São Procópio, abade de Sázava e patrono tcheco, aparece apoiado no báculo e literalmente pisando sobre a figura do diabo, que é empurrado com a haste, reforçando o tema da derrota do mal. Na base, três bustos — um turco, um judeu e o próprio diabo — simbolizam aqueles que, segundo a tradição hagiográfica, o santo teria convertido ou dominado; relevos no pedestal mostram ainda o Último Julgamento e a cena de Procópio arando o campo com o demônio atrelado ao arado.

São Judas Tadeu

Rota das Esculturas na Ponte Carlos em Praga: imagem da estátua do século XVIII que representa um dos doze apóstolos de Cristo e se tornou um dos pontos turísticos mais visitados da cidade. São Judas Tadeu é conhecido como o santo das causas perdidas e seu culto é muito popular.

Ela foi esculpida em 1708 por Jan Oldřich Mayer, em arenito, por encomenda do cavaleiro František Sezima Mitrovský z Nemyšle. A figura representa o apóstolo em pé, com uma postura forte, vestindo uma longa túnica e segurando em uma mão um livro – símbolo do Evangelho que pregou – e na outra um bastão/maça nodosa, instrumento de seu martírio segundo a tradição cristã.

São Nicolau de Tolentino

Rota das Esculturas na Ponte Carlos em Praga: estátua barroca de São Nicolau de Tolentino (1708) com um anjo segurando uma cesta de pães, representando o santo que distribuía pão abençoado aos pobres.

Encomendada pelos agostinianos do convento de São Tomás e instalada em 1708. Ela foi esculpida em arenito por Jeroným Kohl (com participação de Jan Bedřich Kohl-Severa) e hoje o que se vê na ponte é uma cópia de 1966/1969, enquanto o original está protegido. O santo aparece em hábito agostiniano, com uma estrela dourada no peito e segurando crucifixo e lírio, enquanto um pequeno anjo aos seus pés traz um cesto de pães, aludindo ao costume de Nicolau distribuir pão aos pobres e aos milagres associados a esses pães “abençoados”.

Santo Agostinho de Hipona

A Rota das Esculturas na Ponte Carlos em Praga inclui a famosa estátua de Santo Agostinho, o Doutor da Igreja. A escultura de 1708 é ornamentada no estilo barroco e está situada ao ar livre, com vista para o rio Vltava.

Criada em 1708 pelo escultor Jeroným Kohl a pedido dos agostinianos do convento de São Tomás. Ela mostra o santo em vestes de bispo, com mitra na cabeça e báculo na mão esquerda, enquanto na mão direita ergue um coração em chamas, símbolo de seu amor ardente por Deus e de sua intensa vida espiritual. Aos seus pés há livros caídos, representando as doutrinas heréticas que Agostinho combateu, reforçando seu papel como um dos maiores teólogos da Igreja.

Santa Luitgarda

Rota das Esculturas na Ponte Carlos em Praga: grupo escultórico barroco Visão de Santa Luitgarda (Sen svaté Luitgardy), obra-prima de Matyáš Bernard Braun (1710) muitas vezes eleita a mais bela do conjunto, representando a freira cega que em seu leito de morte vê Jesus descer da cruz para lhe trocar o coração.

Foi criada em 1710 por Matyáš Bernard Braun, a pedido do abade cisterciense Eugen Tyttl, para exaltar o mosteiro de Plasy em Praga.

A escultura representa a visão mística da monja cisterciense flamenga Santa Luitgarda: Cristo crucificado se inclina a partir da cruz e envolve com o braço direito relaxado o pescoço da santa, que, em êxtase, aproxima-se para beijar a chaga aberta em seu lado. Em volta, nuvens e anjos completam a cena.

São Caetano

Esculpida em 1709 por Ferdinand Maxmilián Brokoff e financiada pelo convento dos teatinos de Praga. A composição mostra o santo de pé, em hábito clerical, segurando um livro aberto, diante de um alto obelisco triangular que simboliza a Santíssima Trindade; no topo, anjinhos sustentam um grande coração flamejante com asas, outro atributo típico de São Caetano e imagem de sua fervorosa caridade.

São Adalberto

Criada em 1709 por Ferdinand Maxmilián Brokoff, uma de suas primeiras obras independentes. Ela mostra o santo em trajes de bispo missionário, com coroa de príncipe aos pés (lembrando sua origem nobre), segurando uma cruz e a palma do martírio, enquanto pisoteia uma figura pagã prostrada, simbolizando sua luta missionária contra o paganismo na Polônia e Prússia, onde foi martirizado em 997.

São Filipe Benício

Ela foi feita em 1714 pelo escultor Michal Bernard Mändl, de Salzburgo, por encomenda da ordem dos servitas, à qual o santo pertencia.

São Filipe é mostrado em hábito de frade, em posição de pregador, segurando na mão esquerda um crucifixo, uma flor e um livro, símbolos da pregação, da devoção e do estudo. Aos seus pés há uma coroa, indicando o episódio em que ele teria recusado o papado, preferindo continuar na humildade de religioso servita.

São João de Matha com São Félix de Valois e São Ivan

Rota das Esculturas na Ponte Carlos em Praga: grandioso grupo escultórico barroco de arenito (1714) representando São João de Matha, São Félix de Valois (fundadores da Ordem dos Trinitários) e o eremita eslavo São Ivan.

Foi esculpido em arenito por Ferdinand Maxmilián Brokoff em 1714, encomendado pelo conde František Josef Thun em nome do mosteiro dos trinitários de Praga.

A cena mostra São João de Matha, com correntes quebradas, e São Félix de Valois libertando um prisioneiro cristão em um calabouço profundo esculpido no pedestal; acima deles surge ainda São Ivan, eremita tcheco, ligando o tema estrangeiro do resgate de cativos à santidade local. Detalhes como o prisioneiro com turbante (o “turco”), as grades, a inscrição com referência à libertação da pátria da peste e ao fim da guerra com a França, além do cervo com cruz entre os chifres, remetem às lendas da fundação da ordem trinitária e à função de resgatar cativos cristãos dos mouros.

São Vito

Rota das Esculturas na Ponte Carlos em Praga: uma das mais preciosas estátuas da ponte, o grupo de São Vito mostra o padroeiro homônimo da catedral do Castelo de Praga. A escultura de Brokoff é famosa pelos seus leões mansos e por seu poder protetor contra a epilepsia e veneno de cobra.

A estátua foi criada em 1714 pelo escultor barroco tcheco Ferdinand Maxmilián Brokoff, por encomenda do deão da colegiada de Vyšehrad, Matěj Vojtěch z Löwenmachtu. Ela representa São Vito, padroeiro da Catedral do Castelo de Praga, como um jovem nobre romano vestido de legionário, com coroa principesca e ramo de palma (símbolo do martírio). Ele está sobre uma rocha em forma de gruta, de onde saem leões e serpentes. Segundo a lenda, os leões foram domesticados e não o atacam – um deles chega a lamber-lhe o pé. Acredita-se também que a estátua protege contra epilepsia e veneno de cobra.

São Venceslau (St Wenceslas)

Rota das Esculturas na Ponte Carlos em Praga: imagem do santo guerreiro Venceslau, cuja estátua se ergue no lado da Cidade Velha com vista para o rio Vltava e o Castelo de Praga.

A versão original da estátua foi criada pelo escultor Ottavio Mosto no final do século XVII, por volta de 1696, representando São Venceslau (Wenceslaus I, patrono nacional dos tchecos) em armadura de cavaleiro, rezando pela nação tcheca. A composição mostrava o santo rodeado por anjos, simbolizando proteção e devoção. No entanto, essa estátua caiu no rio Moldava durante as cheias de 1784, e o conjunto não retornou à ponte

São Cosme e São Damião

Rota das Esculturas na Ponte Carlos em Praga: uma das mais famosas estátuas barrocas da ponte, o grupo de Cristo Salvador com os santos médicos Cosme e Damião protege a entrada da Cidade Pequena.

Esculpida por Jan Oldřich Mayer em 1709, essa estátua fica do lado da Cidade Velha e apresenta Cristo no centro, com as mãos erguidas em bênção, ladeado pelos irmãos santos Cosme e Damião, que são tradicionalmente conhecidos como médicos e mártires cristãos. Trata-se de uma das composições mais detalhadas da Karlův most, com traços típicos do barroco do século XVIII e grande apelo simbólico para os habitantes de Praga.

Curiosidades da Ponte Carlos

Ovos na argamassa

A lenda medieval mais famosa diz que o imperador Carlos IV ordenou a adição de ovos crus à argamassa para tornar a ponte mais forte. O pedido resultou em casos curiosos como o de Velvary, que enviou ovos cozidos para não quebrarem no transporte. Análises científicas confirmaram a presença de proteínas (como clara de ovo) e de leite na argamassa original.

A data mágica de 1357

A pedra fundamental da ponte foi lançada a 9 de julho de 1357, às 5h31 da manhã, data e hora escolhidas pelos astrólogos da corte. O momento gerou uma sequência numérica palíndroma (1357 9 7 531), lida igualmente dos dois lados e carregada de simbolismo astrológico.

A estátua de bronze

A estátua de São João Nepomuceno foi instalada em 1683 e é a única de bronze da ponte (as demais 29 são de arenito). Uma estranha tradição manda tocar no cão do pedestal; quem o faz tem a certeza de que um dia voltará a Praga.

A primeira ponte de pedra

Antes da Ponte Carlos, existia no mesmo local a Ponte Judith, a mais antiga ponte de pedra de Praga, que foi arrastada por uma enchente do rio Vltava em 1342. Ironicamente, a Ponte Carlos também sofreu séculos depois com a cheia de 1890, que destruiu três de seus arcos e provocou a maior reconstrução da sua história.

As cabeças na torre como aviso

A Torre da Ponte da Cidade Velha guarda uma história macabra. Após a sangrenta Batalha da Montanha Branca (1620), os corpos de 12 líderes da revolta foram esquartejados e suas cabeças foram expostas em cestos de ferro nas ameias da torre. O macabro espetáculo permaneceu por dez anos (1621-1631), servindo como um aviso impiedoso a qualquer um que ousasse desafiar o poder dos Habsburgos.

A era dos bondes e dos ônibus

Pode parecer estranho, mas durante décadas, o transporte público colectivo cruzava a ponte. Em 1883, a “koňka” (tramvia puxada a cavalo) começou a circular sobre o asfalto histórico, um serviço que se tornou muito popular entre os Prahenses. Quase 25 anos depois, em 1905, deu lugar aos modernos bondes eléctricos. Estes, contudo, revelaram-se pesados de mais para a antiga estrutura e o seu barulho ensurdecedor era um problema. Foram finalmente abolidos em 1908, depois de apenas três anos de serviço. A circulação de veículos motorizados só foi proibida de vez em 1965.

Uma galeria de cópias fiéis

O que o viajante vê hoje na Ponte Carlos não são, na sua maioria, as obras originais criadas no século XVII e começo do século XVIII. A maioria das estátuas que adornam o parapeito são cópias de pedra produzidas entre os anos 60 e 90 do século XX por habilidosos restauradores. Os frágeis e desgastados originais foram transferidos para o depósito do Lapidário do Museu Nacional de Praga para serem preservados, um processo de substituição que teve início há mais de 50 anos.

A Ponte Carlos no Cinema e na Música

Mission: Impossible (1996): O filme que tornou Tom Cruise um ícone de ação mundial utilizou a Ponte Carlos em cenas noturnas, mostrando o local vazio e iluminado, uma raridade para o padrão de movimento do local.

A Identidade Bourne (2002): A Ponte Carlos e seus arredores serviram de pano de fundo para a atmosfera de suspense e perseguição deste thriller de espionagem.

Van Helsing (2004): A icônica ponte, com sua aura gótica, foi usada para compor o visual sombrio e fantástico da Praga retratada no filme.

The Spy Who Dumped Me (2018): Esta comédia de ação estrelada por Mila Kunis e Kate McKinnon também utilizou a Ponte Carlos como parte de suas locações em Praga.

Filmes Locais: Para uma experiência autêntica, procure por filmes tchecos como o curta-metragem “Karlův most” (a Ponte Carlos) de 1982 ou a comédia “Tri veteráni” (Os Três Veteranos).

INXS – “Never Tear Us Apart” (1988): Este videoclipe da banda australiana, filmado antes da queda da Cortina de Ferro, foi um dos primeiros a apresentar a beleza da Ponte Carlos e do Centro Histórico de Praga para o público.

Prince – “Somewhere Here On Earth” (2007): O artista escolheu a Ponte Carlos como um dos cenários principais deste videoclipe, que retrata o músico vagando pela ponte.

Linkin Park – “Numb”: A banda de rock também gravou cenas para este videoclipe mundialmente famoso na Ponte Carlos.

Kanye West – “Diamonds from Sierra Leone”: O rapper norte-americano usou a ponte deserta para compor o visual atmosférico deste videoclipe de 2005.

Música Popular Tcheca: Para quem busca uma conexão local, a canção “Karlův most” do grupo Kluci z Prahy (Garotos de Praga) é um verdadeiro hino. Outro clássico é “Bitva o Karlův most” (A Batalha da Ponte Carlos) do cantor Michal Prokop, uma canção que descreve a vida boêmia e artística ao redor do monumento.

Informações Úteis

Endereço: Karlův most, 110 00 Praha 1, Cechia

Coordenadas Geográficas: 50.0864736295498, 14.411425868183713

Visitação: Sim

Entrada: Gratis

Horário de Funcionamento: 24 horas

Como Chegar:

De trem (a melhor maneira)

Pegue a Linha A (verde) do metrô. Desça na estação Staroměstská e caminhe por cerca de 5 minutos até a Torre da Ponte da Cidade Velha, que é a entrada da ponte pelo lado da Cidade Velha (Staré Město). Se quiser começar do lado da Cidade Pequena (Malá Strana), desça na estação Malostranská, caminhe pela rua Mostecká (cerca de 5-10 minutos) e você chegará à Ponte Carlos. O sistema de transporte de Praga é integrado: o mesmo bilhete pode ser usado no metrô, bonde e ônibus.

De bonde

Para começar pela Cidade Velha, pegue os bondes 17 ou 18 e desça na parada Karlovy lázně. A entrada da ponte fica a poucos minutos de caminhada.

Para começar pela Cidade Pequena, pegue os bondes 12, 20 ou 22 e desça na parada Malostranské náměstí. A estação fica na Praça da Cidade Pequena; atravesse a rua Mostecká e você chegará à entrada da ponte.

De ônibus

Pegue o ônibus 194 e desça na parada Staroměstské náměstí (Praça da Cidade Velha). A estação fica bem no centro histórico.

De carro

Se precisar ir de carro até o centro histórico, prepare-se para pagar caro (em torno de € 25,00 por dia) e fique atento às Zonas de Trânsito Limitado (ZTL) e às ruas de pedestres.

A pé

A pé, você pode chegar à Ponte Carlos a partir de vários pontos centrais. Da Praça da Cidade Velha (Staroměstské náměstí), caminhe pela rua Karlova por cerca de 5 minutos. Da Estação Central (Praha hlavní nádraží), você pode caminhar pelas ruas Růžová, Senovážná e Celetná até a Praça da Cidade Velha (cerca de 15-20 minutos) para então seguir para a ponte.

FAQs Rota das Esculturas na Ponte Carlos em Praga

A Ponte Carlos funciona 24 horas por dia? O acesso é gratuito?
Sim. A ponte é uma via pública e está acessível 24 horas por dia, 7 dias por semana. Atravessá-la é completamente gratuito. As únicas exceções são as suas torres (a da Cidade Velha e a da Cidade Pequena), que requerem a compra de um bilhete para subir e desfrutar da vista panorâmica.

Qual é a melhor hora do dia para visitar a Ponte Carlos e evitar multidões?
Para evitar as horas de maior afluência, visite a ponte muito cedo ou muito tarde. O melhor horário é ao nascer do sol, entre as 5h30 e as 7h00 (no verão), quando a ponte está quase deserta e a luz é suave e perfeita para fotos. Após as 10h, e especialmente no verão, o número de visitantes pode tornar a experiência desconfortável. Outra boa opção é visitá-la ao anoitecer ou após as 21h, por ser mais calma.

Quanto tempo demora uma visita normal à Ponte Carlos?
Para simplesmente atravessar a ponte e apreciar as estátuas, pode demorar entre 15 a 30 minutos. No entanto, para uma visita completa, admirando cada estátua, a arquitetura e as vistas, deve reservar entre 1 a 2 horas.

Vale a pena visitar a Ponte Carlos à noite?
Sim, definitivamente. A ponte fica lindamente iluminada e, após as 21h, o número de pessoas diminui drasticamente.

Qual é a estátua mais famosa e qual a tradição associada?
A estátua de São João Nepomuceno é, de longe, a mais famosa. A tradição reza que tocar no relevo dourado na base da estátua traz boa sorte e garante o seu regresso a Praga. Muitos viajantes também fazem um pedido neste local.

Posso aceder à Ponte Carlos a partir da Cidade Velha e da Cidade Pequena?
Sim. A Ponte Carlos liga as duas margens da cidade: a Cidade Velha (Staré Město) e a Cidade Pequena (Malá Strana). Pode iniciar a travessia a partir de qualquer uma das duas extremidades, ambas com torres de entrada.

A Ponte Carlos é acessível para pessoas com mobilidade condicionada (cadeira de rodas ou carrinho de bebé)?
Sim, é possível atravessar, mas o piso da ponte é feito de grandes blocos de pedra irregulares (calçada portuguesa). Isto pode tornar a travessia desconfortável e cansativa para quem utiliza uma cadeira de rodas manual ou um carrinho de bebé, especialmente em dias de maior movimento.

Existem lojas de recordações e artistas de rua na ponte?
Sim. Durante o dia, encontrará inúmeras bancas de artesanato, artistas a pintar, caricaturistas e músicos de rua ao longo do percurso.

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