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Vista geral do Monumento a Jan Hus na Praça da Cidade Velha, em Praga

Monumento a Jan Hus: símbolo da história de Praga

Na Praça da Cidade Velha de Praga, entre fachadas históricas e igrejas, um monumento de bronze chama a atenção. É uma homenagem a Jan Hus, pregador e reformador religioso condenado à fogueira por heresia em 1415. A obra foi inaugurada quinhentos anos depois, em 1915.

Vista geral do Monumento a Jan Hus na Praça da Cidade Velha, em Praga
Monumento a Jan Hus na Praça da Cidade Velha, em Praga. Foto: Xosema / Wikimedia Commons.

Quem foi Jan Hus?

Jan Hus foi um religioso e professor ligado à Universidade de Praga que, no início do século XV, criticou práticas da Igreja e defendeu a necessidade de uma vida religiosa mais fiel aos ensinamentos cristãos. Seus sermões, muitos deles realizados na Capela de Belém, alcançaram um público amplo porque eram proferidos em tcheco, idioma compreendido pelos habitantes da cidade.

As críticas de Hus às autoridades eclesiásticas provocaram conflitos crescentes. Convocado ao Concílio de Constança, foi julgado por heresia e condenado à morte na fogueira em 6 de julho de 1415. Sua execução não encerrou a controvérsia: fortaleceu um movimento religioso e político que marcaria profundamente a história da Boêmia.

Por que Praga decidiu erguer o monumento?

No século XIX, Praga fazia parte do Império Austríaco, governado pela dinastia dos Habsburgo. Nesse período, muitos tchecos procuravam valorizar sua língua e sua história, em uma época em que reivindicavam maior reconhecimento político. Jan Hus, que havia pregado em tcheco e enfrentado as autoridades religiosas séculos antes, passou a ser lembrado também como símbolo dessa identidade nacional.

A ideia de construir um monumento ganhou força em 1889, durante uma discussão sobre colocar uma placa em homenagem a Hus no edifício do Museu Nacional. O príncipe Karl Schwarzenberg criticou duramente os hussitas, seguidores do movimento inspirado pelo reformador, chamando-os de ladrões e incendiários. A declaração provocou indignação entre políticos tchecos que admiravam Hus. Em resposta, eles decidiram que uma simples placa não bastava: Praga deveria erguer um monumento em sua homenagem.

Em 1890, foi criada uma associação presidida por Vojta Náprstek para arrecadar dinheiro e organizar a construção. O primeiro concurso artístico ocorreu em 1891, mas o projeto escolhido não saiu do papel porque ainda havia desacordo sobre o local. Depois de anos de discussão, a Praça da Cidade Velha foi selecionada. A decisão também tinha um significado religioso: ali existia uma coluna dedicada à Virgem Maria, ligada à tradição católica, enquanto Hus era lembrado por suas críticas à Igreja. A presença dos dois monumentos na mesma praça despertava opiniões diferentes sobre a história da Boêmia.

Um segundo concurso foi realizado em 1900. O projeto vencedor, anunciado em 1901, foi o do escultor Ladislav Šaloun, com participação do arquiteto Antonín Pfeifer. A primeira pedra foi colocada em 1903, mas o monumento só ficou pronto em 1915, após mudanças no projeto e muitos anos de trabalho.

Fotografia histórica do Monumento a Jan Hus publicada em 1924
O monumento em uma imagem publicada em 1924, poucos anos depois da inauguração. Fonte: Modern and Contemporary Czech Art (1924), domínio público.

Uma inauguração sem a festa planejada

O monumento ficou pronto para o quinto centenário da morte de Hus, em 1915. Entretanto, durante a Primeira Guerra Mundial, as autoridades proibiram a cerimônia festiva de inauguração. O monumento foi revelado sem a celebração planejada, mas moradores de Praga o cobriram de flores. As inscrições que hoje aparecem no pedestal foram acrescentadas somente depois da criação da Tchecoslováquia, em 1918; as estruturas destinadas ao fogo e o gradil vieram em 1926.

Grupos de bronze do Monumento a Jan Hus
O conjunto escultórico reúne Jan Hus e personagens ligados à história tcheca. Foto: Yair Haklai / Wikimedia Commons.

O que representam as figuras do monumento?

O monumento não representa apenas Jan Hus. Ao redor dele, outras figuras de bronze ajudam a contar o que aconteceu com seus seguidores e com o povo tcheco nos séculos seguintes. Todas fazem parte de uma grande escultura sobre uma base de granito, criada em um estilo artístico conhecido como Art Nouveau (Secessão), caracterizado por formas expressivas e linhas curvas. Hus ocupa a posição central: aparece de pé, envolto em um longo manto, acima dos demais personagens.

Em um dos lados estão os combatentes hussitas. Depois da execução de Hus, em 1415, muitos de seus seguidores se revoltaram contra as autoridades religiosas e políticas, dando origem a conflitos armados conhecidos como Guerras Hussitas. As figuras desses combatentes lembram a resistência de quem decidiu continuar defendendo suas ideias.

Do outro lado aparecem pessoas com expressões de tristeza e sofrimento. Elas representam os tchecos que tiveram de deixar sua terra por motivos religiosos após a Batalha da Montanha Branca, em 1620. Nessa batalha, uma revolta de nobres protestantes da Boêmia foi derrotada pelas forças ligadas aos Habsburgo. Nos anos seguintes, a imposição do catolicismo levou muitos protestantes ao exílio.

Há ainda figuras de uma mulher com crianças, associadas à esperança de que o povo tcheco pudesse superar esses períodos difíceis e construir um novo futuro. Por isso, o monumento não homenageia somente Jan Hus: ele também recorda as lutas, as perdas e a resistência de diferentes gerações.

Detalhe das figuras do Monumento a Jan Hus
Detalhe das figuras de bronze que compõem o monumento. Foto: Kawon Kez Sel / Wikimedia Commons.

Os detalhes que merecem atenção

Vale a pena dar uma volta completa ao redor do monumento, pois alguns de seus detalhes passam despercebidos à primeira vista. Na base de granito, há inscrições que ajudam a compreender a mensagem da obra. Uma delas reúne palavras atribuídas a Jan Hus sobre amar as pessoas e defender a verdade, ideias que se tornaram parte de seu legado.

Outra inscrição apresenta as primeiras palavras de Ktož jsú boží bojovníci, expressão que significa «Vós que sois guerreiros de Deus». Trata-se de um cântico entoado pelos hussitas, os seguidores de Hus que participaram dos conflitos religiosos do século XV. A frase lembra que, depois da morte do pregador, suas ideias continuaram mobilizando pessoas.

Também aparece uma passagem de Jan Amos Comenius, educador e pensador tcheco do século XVII. Após a derrota dos protestantes na Boêmia, ele precisou viver longe de sua terra. Suas palavras expressam a esperança de que o povo tcheco recuperasse a liberdade e pudesse decidir seu próprio futuro. Essas inscrições foram acrescentadas ao monumento depois de sua inauguração, em 1915.

O monumento também oferece uma bela perspectiva da Igreja de Nossa Senhora diante de Týn, uma das construções mais conhecidas de Praga. Localizada na mesma praça, a igreja se destaca por suas duas torres góticas, que podem aparecer ao fundo das fotografias de Jan Hus, criando uma composição que reúne dois importantes marcos históricos da cidade.

Como visitar o Monumento a Jan Hus

O monumento fica na Praça da Cidade Velha (Staroměstské náměstí), no centro histórico de Praga. Está ao ar livre, pode ser observado gratuitamente e não exige ingresso ou agendamento. A praça é acessível durante todo o ano, a qualquer hora; para apreciar as esculturas e inscrições com calma, reserve aproximadamente 15 a 25 minutos.

Vale percorrer toda a base, e não apenas fotografar a figura central. Assim é possível reconhecer os diferentes grupos escultóricos e entender por que o monumento representa muito mais do que uma homenagem a um único personagem.

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